A esquerda e o “favelismo”

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Vem aí o Partido Frente Favela Brasil. Entre seus idealizadores, está Celso Athayde, criador da Central Única de Favelas. Perguntado sobre sua posição ideológica, ele respondeu: “Não sou esquerdista nem direitista. Sou favelista!”.

Foi o bastante para que setores da esquerda acusassem a proposta de ser divisionista, reformista, conciliadora, despolitizada etc.

Mas, talvez, também fosse o caso de perguntar se a grande maioria da esquerda poderia se considerar “favelista”, tal como o documento de apresentação da proposta define o conceito, qual seja:

...trabalhar na inserção dos negros, dos moradores de favelas, e dos pobres dos subúrbios/periferias, no espaço de discussão e decisões políticas do país, bem como manter a constante vigília contra o preconceito racial e discriminação de qualquer origem.

Será que a maioria da esquerda pode dizer que realmente abre “espaço de discussão e decisões políticas” aos negros e pobres em suas organizações? Além disso, a “vigília” contra o preconceito racial e outras opressões é pra valer ou fica restrita à retórica de seus documentos e discursos?

Claro que ser antirracista sem ser de esquerda não leva a lugar algum. Mas não há como ser verdadeiramente anticapitalista sem combater o racismo.

Por outro lado, a proposta defende a “construção de um projeto de oportunidades, a partir do qual todos possam ocupar um espaço digno de sua humanidade.” Este objetivo não reduziria a luta “favelista” à conquista de ajustes nos mecanismos da meritocracia, que justificam não só o racismo, mas toda a exploração capitalista?

São questões como essas que devem orientar a esquerda no debate sobre a proposta “favelista” para evitar as tentações de nosso sectarismo.

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