Estados Unidos e Brasil: esperas promissoras para 2014

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2014 seria ano de muitas expectativas para a sociedade brasileira: haveria a eleição presidencial em outubro na qual se aguardaria de novo o embate entre trabalhistas e socialdemocratas – ambos já sem identificação de fato com a representação de suas siglas - e a realização da Copa do Mundo entre junho e julho – a última vitória pátria havia sido na competição de 2002, momento em que a seleção marcou sua quinta conquista desde 1930.  

Bilhões de reais haviam sido investidos na edificação portentosa de novos estádios ou na reforma dos existentes, sem a devida consulta ao eleitorado, ao ter em vista o elevado patamar de gastos. Mesmo obtido o êxito desportivo, ele teria sido passageiro para a população.

A ufania do sucesso logo ter-se-ia dissipado, vez que a acolhida da disputa futebolística deveria ser o corolário de uma administração socialmente ascendente, não estagnada, próxima da insuficiência de suas antecessoras.

A par da esperança esportiva, havia a continuidade da mágoa com os Estados Unidos por causa da bisbilhotice ilegal. Tal sentimento, conquanto justificado, teria de ser superado pelo Brasil, a fim de regularizar a situação bilateral, necessária para ambos.

Destarte, caberia ao Planalto retomar a pauta com o objetivo de incrementar o desempenho econômico – como não ocorreria melhora no curto prazo do ritmo de crescimento, isso seria um dos pontos responsáveis pela polêmica queda da presidente Dilma Rousseff dois anos depois.

Por outro, competiria à Casa Branca aperfeiçoar a execução de sua política de vigilância global, ao ampliar a colaboração multilateral com o propósito de conter ações violentas de entidades fundamentalistas e, de modo simultâneo, reconhecer a contribuição, malgrado a maneira controvertida, dos servidores públicos, como Snowden ou Manning, no desvio de finalidade dos programas de supervisão de agências governamentais como a de Segurança Nacional (NSA).   

Nesse sentido, Washington prometia revisar seu padrão de comportamento na questão, ao consultar até parlamentares das suas duas tradicionais agremiações. A primeira ideia seria a de limitar o acompanhamento das comunicações digitais de países próximos, como Brasil, México e Alemanha, por exemplo.

Além disso, descortinar-se-ia a possibilidade de estabelecer número maior de revisões no tocante à extensão das investigações eletrônicas e de firmar prazo máximo concernente à preservação das informações coletadas.  

No vislumbre da modificação do posicionamento da espionagem planetária, a diplomacia norte-americana teria missão importante, ao servir de receptor de inquietações, suspeitas ou queixas de governos afins.

No entanto, existia um ponto para o qual não havia resposta a contento a nenhum dirigente: como separar na prática interesses políticos de econômicos no vasculhar cotidiano de dados do sistema internacional, mesmo de administrações aliadas?

De toda forma, o Planalto demonstraria satisfação, ao menos provisória, com a proposta da Casa Branca. Correta a postura de Brasília diante da intenção de Washington, ao afirmar que aguardaria a materialização da eventual mudança - https://www.valor.com.br/brasil/3399656/brasil-acompanhara-desdobramentos-praticos-de-anuncio-de-obama.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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