Periferia em marcha na greve geral

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Barrar os ataques para construir o novo!

Não é de agora que a gente vive mal. Não é de agora que temos nossos direitos e nossos sonhos destruídos e arrancados de nós.

Há mais de 500 anos o povo mais pobre e trabalhador é escravo de quem lucra, de quem enriquece às custas da miséria.

O pouquinho de direitos que temos foi conquistado com luta, com sangue, na marra. E mesmo assim, nós que construímos os palácios dos ricos criamos nossos filhos em barracos de madeira, em palafitas espalhadas pelas periferias deste Brasil tão rico e tão injusto.

Assistimos todos os dias novos prédios de luxo brotarem no chão das cidades. Ao mesmo tempo, todos os dias vemos o nosso povo morrer de bala, fome, doença ou miséria.

Enquanto padecemos, no andar de cima, os ricos e os políticos, abraçados em notícias e mais notícias de propina, corrupção, jatinho para as viagens, pulseiras de diamante, lagosta e tanta coisa que a gente nem imagina o que é.

Tudo à custa do suor do povo, porque não é a Odebrecht e as outras grandes empresas que pagam a conta. Arrancando da merenda das escolas públicas, da moradia popular, da educação e da saúde eles engordam seus tesouros, e a gente segue passando dificuldades.

Somos nós, os mais lascados - os que já pouco ou nada têm - que pagamos com nossa fome, nosso sangue e nossas lágrimas, a opulência de meia dúzia.

Para quem é muito pobre e vive na periferia a crise está sempre batendo na porta: a gente não dura muito tempo em um emprego; o emprego que a gente arranja nem sempre tem carteira assinada; a casa que a gente vive alaga quando chove e mesmo assim somos reféns do aluguel.

É tanta riqueza e tanta pobreza vivendo lado a lado que às vezes a gente se pergunta como foi que o mundo chegou até aqui.

Muita gente fica indignada, revoltada, com raiva, mas não sai de casa e só sabe reclamar na internet.

Também tem gente que vai pra rua fazer protesto querendo usar nossa desgraça como massa de manobra para eleger mais um candidato ou candidata pilantra.

Há gente inteligente que escreve nos jornais dizendo que nós, trabalhadores pobres, somos alienados demais e terminamos por dar força aos nossos inimigos.

Mas muitos do que dizem isso não conhecem o ódio que sentimos quando nossos filhos pedem comida e não temos de onde tirar porque nos arrancaram o emprego, nos arrancaram as balas que tentamos vender nos ônibus, nos arrancaram a aposentadoria, o seguro-desemprego, nos arrancam a liberdade, quando abarrotam as prisões com nossos jovens negros e negras que - diferentemente dos que roubam milhões dos cofres públicos, nem direito à defesa têm e só deixaram para nós a opção de morrer quietos.

Mas sabe de uma coisa?

Quando os alunos ocuparam as escolas e fizeram elas funcionarem melhor sem o governo, eu aprendemos uma lição.

Quando ocupamos terra lutando por uma morada e com a ajuda dos camaradas abrimos as ruas na enxada sem prefeito e nem presidente, aprendemos uma lição.

Quando participamos das passeatas todo dia e infernizamos até o governo abaixar outra vez o preço do ônibus, aprendamos uma lição.

Aprendemos que povo trabalhador quando se junta pode quebrar qualquer muro que a ganância ponha no nosso caminho.

Aprendemos que é a força do nosso braço que constrói o luxo e a riqueza e que sem nós esses patrões e políticos não tem poder de nada.

Aprendemos juntos que é mais importante acreditar em nós mesmos, enchendo a laje dos nossos vizinhos nas comunidades, do que naqueles que nos governam e juntos compreendemos que o mundo não gira sem nosso trabalho.

Quando tomamos consciência disso, vemos que a nossa força e trabalho poderiam governar e construir um mundo e uma vida bem melhor do que essa que a gente conhece.

Todo caminho longo começa com um passo e pra construir um mundo novo - onde quem trabalha possa usufruir do pão da vida - é preciso começar de algum lugar.

Construindo junto com outros companheiros e companheiras de vários movimentos, cidades e estados diferentes, nós, do Luta Popular, queremos ajudar nessa caminhada e doamos nossa força como contribuição para nossos sonhos se realizarem.

Marcharemos lado a lado com nossos iguais, que trabalham para viver e vivem pra trabalhar.

Marcharemos pelas ruas em que passamos todos os dias, mas desta vez caminharemos sobre elas por decisão nossa, caminhando rumo ao que acreditamos.

Marcharemos conversando com trabalhadores e trabalhadoras, olhando nos olhos e convidando a se somar com a gente nessa união de mundo novo.

Nós não queremos mais este presidente. Nós também não queremos os presidentes de antes e nem os que querem vir depois.

Queremos e lutaremos para que os comitês populares continuem a organizar por baixo uma experiência de poder popular.

Nós marchamos porque a luta por nossos direitos, contra essas reformas injustas que piorarão ainda mais as nossas vidas é apenas o primeiro passo de um caminhar longo que nós desejamos, que nos leve a uma vida em que não existam ricos e pobres porque o mundo será de todos, igualmente.

Hoje vamos parar tudo para derrotar estes ataques e ajudar colocar abaixo este governo para amanhã construirmos o novo com as nossas próprias mãos.

Periferia em Marcha contra o fim da aposentadoria, a terceirização e o desemprego!

Ocupar pra resistir! Greve pra paralisar! Comitês pro povo governar! Organizar os de baixo para derrubar os de cima!

Dia 27 - Periferia em marcha na greve geral

Contra o fim da aposentadoria, a terceirização e o desemprego

Programação

27/04

05h - Café da manhã na Ocupação Jardim da União
(avenida Antônio Burlini, nº 1000)

Assembleia popular - Lançamento da Marcha

08h - Concentração na Praça do Trabalhador (próximo ao terminal Varginha)
12h - Concentração na Praça do Passa Rápido
14h - Atividades Culturais
16h - Roda de Conversa: Por que devemos parar o Brasil contra a reforma da previdência?
18h - Jantar
19h - Roda de Conversa: Comitê popular para o povo governar!
21h - Sarau Candeeiro

28/04

Manifestação - GREVE GERAL

07h - Concentração no Largo do Socorro

Fonte: Luta Popular.

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