Documento final da Conferência de Bali não atende a expectativas

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Era grande a expectativa de que a 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), realizada em Bali, Indonésia, entre os dias 03 e 15 de dezembro de 2007, retificasse o compromisso de governos de todo o planeta em combater o aquecimento global.

Realizada à sombra do mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) que, de maneira minuciosa, detalha o futuro pouco esperançoso para a humanidade no caso de mantermos o nível de emissão de gases contribuintes para o efeito estufa atualmente observado, a Conferência teve como foco principal fazer com que os Estados Unidos, uma das nações mais poluentes do mundo, se comprometesse com uma diminuição em sua taxa de emissão de gases poluentes.

O documento final produzido pela Conferência, no entanto, deixou muito a desejar. Embora tenha-se conseguido que os Estados Unidos figure entre os países que ratificam as novas metas debatidas em Bali, o conteúdo do documento é pouco substancial - justamente por pressões do norte-americanos, que se negaram a ratificar qualquer outro documento que não estivesse de acordo com suas posições.

Uma das exigências dos norte-americanos - e também da representação do Canadá - foi a retirada de qualquer menção explícita a números e porcentagens relativos à diminuição de gases poluentes entre 25% a 40% até 2020, como desejavam países da União Européia.

Também causou ira em meio a comunidade ambientalista e científica o fato de que os alertas feitos pelo IPCC em seus últimos documentos - relativos à possibilidade de ser observado um aquecimento global de até 6,1 graus Celsius no século XXI - constam apenas como notas de rodapé no documento, chamado de "Road Map" ("mapa do caminho").

Apesar de todos os desfalques em seu conteúdo, o documento produzido em Bali servirá para guiar a criação do substituto do Protocolo de Kyoto, instrumento datado de 1997 que serve, até hoje, como a principal orientação para que Estados trabalhem rumo a uma redução da emissão de gases. O novo protocolo deverá ser debatido a partir de 2009 e apresentado em 2012.

Até lá, espera-se que os Estados Unidos, cujo governo será renovado após as eleições para a Casa Branca em 2008, reveja as suas posições e estabeleça metas melhor definidas para reduzir sua contribuição ao efeito estufa.

"Acreditamos que, com as próximas eleições americanas, o quadro político mude e o país possa assumir seu papel na emissão de gases de efeito estufa", diz Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC. O professor explica que, em Bali, esperava-se uma posição mais flexível dos norte-americanos, algo que, infelizmente, não aconteceu.

Desmatamentos na mira

A questão da produção de gases poluentes a partir de desmatamentos de florestas - caso observado na Amazônia - foi contemplada na COP-13 e, após longas negociações, consta no documento final da Conferência.

De acordo com o "Road Map", deverá constar no substituto do Protocolo de Kyoto políticas de combate ao desmatamento e à degradação de florestas.

No entanto, não ficou esclarecido como se dará o financiamento para tais políticas. A proposta feita pela anfitriã Indonésia de criar um canal de fundos provenientes de países ricos com destino a países em desenvolvimento que possuam grandes florestas tropicais é uma das principais iniciativas registradas durante a COP-13, mas também levantou dúvidas.

Pouca discussão sobre biocombustíveis

O debate sobre a expansão dos biocombustíveis no mundo, questão considerada por ecologistas de extrema importância, não obteve em Bali a intensidade necessária, sendo relegado a um segundo plano.

De acordo com participantes da reunião, tal ausência da pauta indica que programas de obtenção de combustíveis vegetais continuarão crescendo com pouco controle de Estados e da sociedade civil.

Presentes na Conferência estiveram também defensores do programa de biocombustíveis brasileiros, como o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. Rebatendo as críticas de grupos ambientais preocupados com eventuais problemas ligados aos biocombustíveis, Amorim defendeu ferrenhamente o etanol como um combustível "ecologicamente correto".

"Os biocombustíveis produzidos nos países em desenvolvimento apresentam grande potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa", disse o chanceler brasileiro.

Segundo Amorim, o grande empecilho para a universalização dos biocombustíveis parte de países desenvolvidos, que, por meio de barreiras tarifárias, impedem a expansão de culturas menos danosas em detrimento de seus próprios biocombustíveis.

"Grandes consumidores de energia do mundo desenvolvido têm colocado todo tipo de barreira aos biocombustíveis dos países em desenvolvimento, mas ao mesmo tempo gastam bilhões de euros e dólares subsidiando seus produtos ineficientes", afirmou.

 

Com Agência Brasil

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Comentários   

0 #2 Mac Dowell 24-12-2007 15:02
Não é possível construir uma nova ECUMENE sem uma mudança profunda nas relações de produção. O modelo capitalista é, substancialmente, destruidor dos recursos naturais. Como podemos discutir sobrevivência e dignidade inseridos em um modelo econômico ontologicamente mal?
Os detentores do poder econômico não enxergam questões éticas ou de desenvolvimento sustentável nos seus empreendimentos e projetos capitalistas, e quando o fazem, é por alguma imposição externa, tornando-se um imperativo da nova realidade mundial.
A criatividade humana (em todos os níveis) sucumbe ao lucro do capitalismo.

Mac Dowell
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0 #1 Conferencia de Balijose 24-12-2007 15:01
parabéns,pelo artigo relevante e vital para mantermos nosso planeta vivo,o ministro Celso Amorim e ambientalistas deve se voltar para uma política interna(energias renováveis,educação ambiental nas escolas desde o 1º ciclo,secretarias e orgaõs do meio ambiente centrdos e atuando nas questões ambientais,etc)isto é fazer o dever de casa.
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