Eu, Carlos Geovane Cirilo

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Estive no Hospital de Base do Distrito Federal (DF), neste sábado (27), para prestar solidariedade ao Carlos Geovane Cirilo e aos seus familiares.

Para quem ainda não conhece, Carlos é um trabalhador aposentado, de 61 anos, pai e avô, que recebeu um tiro no pescoço e permanece na UTI. É um guerreiro que está lutando. A bala segue no seu maxilar.
 
O servidor é ex-funcionário do setor de manutenção do Hospital de Pronto Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. Ele é da coordenação dos aposentados da ASTHEMG (Associação Sindical dos Trabalhadores de Hospitais Estaduais de Minas Gerais) .

Trago a referência ao filme Eu, Daniel Blake, por dois motivos. Carlos é um aposentado que estava lutando contra as reformas trabalhista e da previdência na Esplanada dos Ministérios no dia 24 de maio. Mesmo já tendo se aposentado, estava na luta, para que pessoas como eu e você tivéssemos o mesmo direito. Certamente é uma pessoa generosa.

Em segundo lugar, não posso deixar de registrar a questão da burocracia. Até hoje, os familiares e dirigentes sindicais de MG tinham dificuldades de obter informações mais claras sobre o estado de saúde de Carlos. Assim como eu ou você, os filhos de Carlos não têm segurança com a linguagem técnica dos médicos, toda cifrada e codificada.

Carlos ainda deve passar por cirurgias, mas seu quadro é estável. Há muita atenção e pressão sobre o caso. Carlos foi vítima de um tiro disparado pela PM do DF. Algo inaceitável em uma manifestação. É evidente a responsabilidade do DF sobre este caso.

Hoje li abismada que a PM do DF está fazendo vista grossa ao caso. Cabe questionar se foi um ato isolado dos policiais ou uma orientação do comando. De qualquer forma, cabe investigação, identificação, afastamento imediato e punição aos responsáveis.
É urgente que o governo do DF se pronuncie e se comprometa a proibir o uso de armas letais nos protestos. Nada menos.

Enfim, saí com a certeza de que Carlos é um herói. Um anônimo que sempre lutou pelos direitos dos trabalhadores, envolvido na causa sindical. Um homem que buscou estar em um ato em Brasília. Cada vez mais, neste mundo em crise, com políticas de austeridade, desmonte das políticas sociais, teremos mais heróis assim. Que se dispõem a serem generosos e a lutar pelo que acreditam ser justo.

Todos que defendem o direito democrático à manifestação devem se unir em uma campanha contra o aumento da ação repressiva. Solidariedade a Carlos e todos os feridos e seus familiares.

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Giulia Tadini é cientista social.

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