Mais do mesmo

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Qualquer pessoa que tenha ficado atenta aos noticiários televisivos - tanto domésticos quanto internacionais - nestas semanas recentes não deve ter escapado do sentimento de déjà vu frente à exibição de imagens sobre a atual situação em Israel e na Palestina.

 

Ambulâncias, o choro e a dor foram constantes nessas imagens, transmitidas a partir de Gaza e de Jerusalém, localidades onde aquilo que o senso comum previa volta a acontecer, novamente colocando em xeque o processo de paz na região.

 

De um lado, as tropas da IDF (Forcas de Defesa Israelenses) e suas incursões no território controlado pelo grupo extremista Hamas, deixando um saldo de 120 mortos, entre os quais dezenas de mulheres e crianças.

 

De outro, a resposta do Hamas às agressões – algo que não tardou: a invasão de um militante do grupo, armado, em uma escola religiosa localizada na parte judaica de Jerusalém, acaba com a vida de oito jovens estudantes, além de ferir diversas pessoas que se encontravam no local.

 

De um lado, jovens militares israelenses, obrigados a defender o Estado judaico, sob as ordens do inconstante Ehud Barak, ministro de Defesa de Israel outrora comprometido com o processo de paz na região e esperança para muitos.

 

De outro, um jovem palestino de classe média alta, com casamento marcado e filho de pais que hasteavam constantemente bandeiras do Hamas em sua morada.

 

Em ambos os casos, atores principais cujo futuro certamente seria diferente não fossem as circunstâncias políticas que há tempos transformam a Terra Santa em um campo de batalha.

 

Também em ambos os casos, aqueles que perdem a vida nada mais são além de inocentes, vítimas de agressões covardes - sejam elas proporcionadas por helicópteros Apache e caças F-16 ou por militantes suicidas.

 

"É apenas mais do mesmo", dirão muitos espectadores dos noticiários, inertes frente aos horrores constantes que os meios de comunicação, abundantes no mundo atual, nos proporcionam em doses nada homeopáticas.

 

Não há, no entanto, como não concordar que estes têm certa razão. Os acontecimentos recentes são, sim, mais do mesmo; o que vemos nada mais é do que a reiteração do círculo vicioso de embates entre palestinos e judeus, fomentado pela intolerância e pela ausência de um desejo verdadeiro de coexistência pacífica, que encontra sua verdadeira expressão no fundamentalismo enraizado em ambos os lados.

 

Mateus Alves é jornalista.

 

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Comentários   

0 #2 ACOLHIMENTOLourenco Alonso Martins 09-04-2008 06:30
Por que não banir do vernáculo a palavra TOLERÂNCIA, pesada demais, e em seu lugar empregar a palavra ACOLHIMENTO, plena de sentido humanitário?
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0 #1 Por um mundo toleranteTarcísio Vanderlinde 12-03-2008 06:21
A materialização de intolerâncias via de regra gera novas intolerâncias, é por isso que a intolerância pode ser considerada sinônimo de morte em todos os sentidos. Pode-se, no entanto, experimentar a tolerância sem abdicar das convicções pessoais. É uma opção como tantas outras. Apesar das nossas limitações – a intolerância não admite fragilidades –, a tolerância aponta para a vida e pode ajudar-nos a sermos melhores. É esta a postura que nos faz compartilhar com o historiador Eric Hobsbawm a idéia transcendente e tolerante de que ainda vale a pena imaginar um futuro desejável para a humanidade.
Salaam alaykum!
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