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altComo Pilatos no credo, o Supremo julgou como alheia a sentença que também é sua. Nem tanto pela sorte dos réus, já condenados no tribunal da consciência crítica da cidadania, mas pela dilatação de um padrão de política e uma tradição procedimental.

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altOs “vendedores do Brasil” estão na moda. Os chefes dos executivos já operam de acordo com a máxima “governar é intermediar negócios”. Ao legislativo compete afastar os obstáculos da máquina mercante.

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altFicou claro que o processo de degradação do sistema político ultrapassou o perigoso umbral do sem retorno. Vai se ampliar o divórcio entre o sentimento cidadão e a lógica que anima os partidos da ordem no parlamento.

 

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altPelo andar da carruagem, os jornais já noticiam que o filho de biliardário “pode nem ser indiciado no inquérito e o ciclista pode ser apontado como causador da própria morte”.  O Eike Batista falou: a culpa é da vítima.

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altFalência histórica de um ciclo da política, um modelo. Mas também o tempo da inexistência de nexos que articulem projeto alternativo. São ocasiões, segundo Gramsci, propícias ao aparecimento de “sintomas mórbidos, fenômenos estranhos, criaturas monstruosas”.

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altEntre os males contra o Rio, o maior de todos é a pequena política. Os mercadores do interesse puro tomaram conta do templo majestoso. Aos 448 anos de existência, o Rio navega entre a beleza e o caos.

 

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altO encontro, que explodiu como desencontro um mês depois, existiu e foi pedido por Lula. Essa, por enquanto, é a única certeza.

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altA dívida, no ponto a que chegou, não é mais um problema de mero cálculo econômico, ou de regras contratuais. Virou um problema político crucial e como tal deve ser tratado. Não é um problema técnico, mas expressão concentrada de tudo o que existe de pior no mundo de hoje. Da tirania do capital financeiro. Do domínio absolutista do privado sobre o público. Da soberania do mercado sobre a ordem social.

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altA máquina militar de poder inigualável opera as agências de inteligência como força paramilitar em manobras típicas do pior tipo de terrorismo, aquele a partir do qual todo o ciclo do terror se retroalimenta: o terrorismo de Estado.

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altComo o existencialismo nos tempos da “chiquita bacana”, a moda agora é outra: o “pós-tudo” e o “neo-nada”. É a panela comum na qual se dissolvem duas figuras tão díspares e vindas de mundos contrapostos, Marina e Kassab, que usaram as mesmas palavras para definir o perfil de seus projetos partidários.

 

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altOutro filho de Deus, farmacêutico aposentado de 77 anos, em plena semana santa do ano em curso, também buscou a morte como sinal de alerta. Foi na Grécia, berço e, ao que tudo indica, túmulo de um ocidente corroído até a medula pelo poder do dinheiro.

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Barbas de molho, cidadãos. O contubérnio de forças articulados no episódio presente pode ser o ensaio geral do que está por vir. Autorizações judiciais secretas, governos submissos aos ditames da máquina mercante, informação manipulada nos canais da mídia oligopolizada.