Governo inglês liberou terroristas suspeitos para lutarem contra Kadafi

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Quando Amber Rudd, a secretária do Interior do governo Theresa May, admitiu que o autor do atentado de Manchester, Salman Abed, era conhecido das autoridades de contraterrorismo, um fato incrível chegou ao público.

Líbios residentes no Reino Unido revelaram que, em 2011, o MI5, o serviço de segurança interna e espionagem, autorizou suspeitos de terrorismo viajarem à Líbia para combater Kadafi.

Os viajantes eram todos controlados pelo contraterrorismo britânico e formalmente proibidos de deixarem o país, pois representavam ameaças à segurança. Mas o MI5 nem se tocou: permitiu numa boa a saída de até mesmo suspeitos de ligações com a al-Qaeda.

E a viagem era de ida e volta. Missão cumprida, os beneficiários desta licença para matar soldados de Kadafi puderam regressar a suas casas na Inglaterra, sem maiores problemas.

Os colegas de James Bond não vacilaram em passar por cima das normas de segurança antiterrorismo, tanta era sua vontade de reforçar a revolução contra o ditador líbio.

Afinal o Reino Unido, ao lado dos EUA, Arábia Saudita, Itália e França (entre outros), integrava a coalizão que, aliada a grupos locais, queria trazer a democracia e a liberdade para a Líbia.

Em vez disso, trouxe a terra de ninguém, saques, lutas de facções sanguinárias, torturas e toda sorte de violências, protagonizadas por milicianos jihadistas, que se espalharam pelo país depois da vitória.

Nas regiões onde eles ainda combatem entre si não há lei, nem ordem e muito menos democracia. A realização de eleições não mudou quase nada. Hoje, apesar dos esforços da ONU, dois governos disputam o poder, convivendo com lutas entre facções islamitas radicais, que parecem não ter fim.



Voltando à questão da estranha autorização do MI5, oficiais líbios do governo de Trípoli confirmaram as denúncias. Foram cáusticos: o governo inglês da época estava “completamente a par de que esses jovens tinham sido enviados para lutar”.

Em Beida, leste da Líbia, o “outro governo” também falou sobre o assunto numa declaração retumbante, condenando o atentado de Manchester: “este covarde atentado resultou da ação de grupos terroristas que vêm operando no Reino Unido há décadas.


Eles incluem movimentos de milicianos líbios islâmicos que recrutam líbios no Reino Unido e na Europa e os enviam à Líbia e outras nações para promoverem terrorismo e morte, com conhecimento prévio do governo inglês que lhes provê um refúgio seguro. Esses milicianos vem destruído nossas cidades e aldeias numa tentativa de transformar a Líbia em exportador de terrorismo para todo o planeta”.

Parece haver um certo exagero nessas acusações. Não é de se crer que o MI5, da honourable premier Theresa May, continue liberando tipos sabidamente perigosos para irem praticar crimes no exterior. Nem que a Inglaterra de hoje seja um “paraíso seguro” para jihadistas.

O que não isenta o MI5, onde James Bond atuou no passado, de ter pisado na bola em 2011. E feio. Sua Majestade deve ter achado shocking.

As informações aqui relatadas vieram do The Mail Online e do Middle East Eye, jornais online confiáveis.

Luiz Eça

Começou sua vida profissional como jornalista e redator de propaganda. Escreve sobre política internacional.

Luiz Eça

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