Rebeldes sírios pró-Ocidente perdem seu maior reduto para o terrorismo

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Acordo recente criou um cessar fogo na Síria nas áreas dominadas pelo governo Assad e pelos rebeldes pró-Ocidente. Ficavam excluídas as regiões sob controle de grupos terroristas.

Idlib, com 2 milhões de habitantes, a maior e mais importante província do norte do país, desde 2015, vinha sendo governada pelas forças de oposição ao regime de Damasco.

Elas incluíam o Ahrar al Sham e grupos aliados, que recebiam armas dos EUA (através da CIA) e o Nusra Front, filial da Al Qaeda, armado pela Turquia. Posteriormente, o Nusra mudou de nome e separou-se do grupo fundado pelo extinto Bin Laden.

Mas continua terrorista e fiel às ideias da antiga matriz. Como os grupos pró-Ocidente controlavam a maior parte de Idlib, a província não podia ser atacada pelo governo Assad. Era proibido pelo acordo de cessar-fogo.

Esta situação agora vai mudar. Depois de uma série de combates, o Nusra derrotou o Ahrar, conquistou Idlib City e expulsou os aliados do Ocidente.

Como a província passou para as mãos de grupos terroristas, as forças do governo sírio podem atacá-la, sem violar o cessar-fogo. E terão todas as chances para saírem vitoriosas.

Os EUA não devem mais enviar armas para a província, pois isso seria favorecer o terrorismo. É o que declarou Michael Ratney, enviado do Departamento de Estado à Síria, ao Middle East Eye on-line (18 de agosto).

A Turquia também seguirá o mesmo caminho. Conforme o jornal saudita Sharq al-Awsat, representantes dos governos de Moscou, Istambul e Teerã já estão negociando nesse sentido.

E a Nusra ficará a deriva.

Com a provável tomada de Idlib pelas forças de Assad, a revolução contra o governo ficará bastante enfraquecida, pois era a maior região síria sob seu controle.

Praticamente todo o norte do país voltará para o governo de Damasco. Restará à oposição apenas algumas regiões esparsas do leste, de onde o Estado Islâmico (EI) está sendo expulso por forças oposicionistas, incluindo tropas curdas (o YPG), com apoio da aviação norte-americana.

O problema é que, depois de expurgar a região do EI, os curdos terão de abandonar as hostes da revolução para enfrentar seu inimigo mais poderoso: a Turquia.

Erdogan, o chefe do governo de Istambul, não aceita a expansão do YPG na Síria. Suas forças militares já vêm promovendo ataques, por enquanto pontuais, contra objetivos curdos.

A saída dos curdos desfalcaria bastante o exército rebelde que ficaria seriamente inferiorizado diante das forças de Assad.

Não acredito que os EUA o deixariam na mão. Mesmo que Trump faça alguma coisa, a causa rebelde estará a perigo.

Talvez então seus líderes suavizem suas exigências nas negociações de uma transição para a paz, marcadas para outubro.

Por sua vez, os russos e iranianos terão de convencer Assad e políticos aliados a não caírem na tentação do “já ganhou” e admitirem concessões justas num pacto para salvar o que ainda resta da Síria.

Leia também:

“O Estado Islâmico é hoje uma fera encurralada”

 

Luiz Eça

Começou sua vida profissional como jornalista e redator de propaganda. Escreve sobre política internacional.

Luiz Eça

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