Brasil – a desproporcional pretensão junto à ONU

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No primeiro semestre de 2010, a divergência entre Brasil e Estados Unidos sobre a destinação da política nuclear do Irã foi o ponto mais importante no relacionamento entre os dois. Nos meses seguintes, ela ainda ecoaria de maneira retórica, ao ser citada nos trabalhos de abertura da assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), proscênio onde o país tem por tradição a primazia do discurso.

Malgrado a relevância do assunto nas relações internacionais, a atenção do Planalto voltava-se para algo de valor bem superior para ele naquele momento: a eleição presidencial de outubro.

Pela quinta vez consecutiva, a disputa principal era entre o trabalhismo (PT) e a socialdemocracia (PSDB), duas versões tropicais com o passar do tempo do neoliberalismo, embora uma, a tucana, estivesse acima da outra, a petista, em termos de intensidade. No fim, seria a terceira derrota sequente dos peessedebistas.

Na esteira da vitória, o presidente Barack Obama cumprimentou por telefonema, como de praxe, Dilma Rousseff, a sucessora do popular Lula da Silva. Segundo o divulgado oficial da Casa Branca, o dirigente havia considerado histórica sua eleição dentro do quadro consolidado da democracia brasileira.

A despeito da memória recente do imbróglio persa, ele avaliou a relação diplomática como ‘excelente’ e anunciou seu desejo de avistar-se com ela para tratar entre outros temas da reconstrução do Haiti e de energia menos poluente - http://www.presidency.ucsb.edu/ws/index.php?pid=89097.

2010 foi um ano bom para a presidência da República. O crescimento econômico chegou a 7,5%, acima de boa parte do mundo, afetado de forma extensa pelos desdobramentos deletérios da crise global de 2008. Entre as potências de porte, ela seria superada, como previsível, apenas por China e Índia.

Como consequência do otimismo momentâneo, a revista Forbes incluiu a governante brasileira na décima sexta posição entre as pessoas de maior poderio no planeta. Ela foi a única da América Latina a encaixar-se entre os cinquenta da privilegiada lista - https://www.forbes.com/lists/2011/20/powerful-people_2010.html.

Em se considerando o principal florão da América Latina, Brasília evocou de novo a mais antiga obsessão da política externa pátria: a participação permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CS/ONU).

No biênio 2010-2011, o Brasil era um dos participantes rotativos. Até os dias atuais, Japão, Brasil e Argentina são quanto ao tempo os maiores componentes daquela unidade conciliar, embora díspares no tocante ao poderio.     

O Planalto avaliava contar com o apoio de ao menos três membros fixos, China, França e Grã-Bretanha, a despeito de não poder adicionar o mais significativo de todos: o dos Estados Unidos, inclinados naquela altura pela Índia.

Criterioso, Washington analisava que Nova Déli seria o contraponto natural às aspirações de Pequim e de Moscou no continente asiático. Malgrado a preferência momentânea dos norte-americanos, o importante para Brasília seria a indicação da necessidade de reformar o conselho de segurança, ou seja, de alargá-lo.

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Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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