Estados Unidos e Brasil – a chegada de Obama a Brasília precedida pela economia

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Na metade do primeiro mandato do presidente Barack Obama, a Casa Branca anunciou a excursão do dirigente à América Latina, ao contemplar três países apenas: Brasil, Chile e El Salvador.

O objetivo seria o de reforçar os laços. De modo geral, a atuação norte-americana se relacionaria na retórica com saúde, educação e, em face do impacto do recente desequilíbrio econômico, morigeração administrativa - https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2011/01/25/remarks-president-state-union-address.

A viagem presidencial seria precedida por uma ministerial em fevereiro de 2011: a do titular da Fazenda, Timothy Geithner. A meta seria firmar posição comum concernente ao posicionamento cambial da China: os dois governos desejavam a imediata valorização do yuan, vez que naquele patamar a competividade brasileira era prejudicada, mesmo em sendo uma economia fundamentada na agricultura e minérios, posto que, em escala menor que a norte-americana, de feitio industrial.  

Este ponto era sem dúvida prejudicial ao instável real, mas havia outro, conforme apontava o burocrata estadunidense: a permanência dos juros altos, de maneira que o Brasil continuaria a atrair correntes de capital, nem sempre, registre-se, as mais benéficas para sua economia - http://www.reuters.com/article/us-brazil-usa-geithner-idUSTRE7160ST20110207.   

Em decorrência da característica da exportação pátria, preocupava-se Brasília com proposta de Paris ao G-20 no final do mesmo mês: a de tabelar a cotação dos produtos primários, com o propósito de embasar a gradativa recuperação econômica global.

Nesse sentido, Washington não se posicionava a favor disso. Na perspectiva nacional, a estabilização dos preços por acerto multilateral não ajudaria o país a crescer.
Como retribuição ao afago ministerial, a presidente Dilma Rousseff informou à delegação norte-americana ser favorável à aquisição do F-18, produzido pela Boeing, desde que o acesso à tecnologia fosse assegurado ao setor castrense. Ademais, acenava-se com o programa de biocombustível da empresa estadunidense para o segmento aéreo brasileiro.

Destarte, pode-se indicar o êxito da persuasão da comitiva senatorial, liderada pelo republicano John McCain, dias antes, dado que o ministério da Defesa preferia a aeronave francesa, fabricada pela Dassault.

Considere-se que para as corporações militares a transação incluiria a fatura da manutenção também e eventuais modernizações da frota, ou seja, seria um negócio com duração de muitos anos.

Outro tópico de especial atenção para Washington relacionava-se com a materialização da diplomacia lúdica implementada pelo trabalhismo: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

A Casa Branca gostaria que suas companhias pudessem participar das obras de infraestrutura através do financiamento do Ex-Im Bank, instituição de crédito estatal. Por seu turno, o Planalto desejaria aproveitar o auxílio na organização dos dois eventos, dado o grande aporte, porém não na construção, visto ter considerado desnecessário eventual apoio, em função da experiência das empreiteiras locais.

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Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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