Brasil – Estados Unidos: a imprudente ufania de início de mandato

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Ao longo da dupla administração (2003-2010), o presidente Lula da Silva desfrutou de bastante prestígio internacional. Parte disso havia decorrido de sua carreira pregressa como sindicalista de êxito ainda no final do período ditatorial castrense – março de 1979 – em São Paulo.

Ao chegar ao Planalto em janeiro de 2003, após a desastrosa gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ele seria considerado a esperança da esquerda democrática ocidental, já cética concernente a Hugo Chávez na Venezuela e decepcionada na França com Lionel Jospin, fora do poder desde maio de 2002.  

Sua sucessora, Dilma Rousseff, herdaria os bons índices de popularidade quando do encerramento de seu governo. A eleição presidencial de 2010 não havia demonstrado sinal de bons augúrios porque as duas candidaturas principais enfatizaram de modo positivo o tom tecnocrático: gestor ou gerente ao invés de político.

Assim, a necessária transformação social incisiva cederia lugar à continuidade onde ocorreriam pequenos ajustes, isto é, ligeiras variações do modelo em vigor – neoliberalismo acanhado. Portanto, nem reforma haveria.

Nas primeiras semanas de 2011, a administração Rousseff seria prestigiada com a vinda do presidente Barack Obama ao Brasil, a despeito de sua visita não ter trazido benefício à sociedade no curto prazo, como investimentos maciços ou programas de cooperação técnica, por exemplo.

Embora de maneira involuntária, haja vista seu passado na oposição à ditadura militar, o governo da presidente, ao alterar logo a postura diplomática no tocante a direitos humanos de países do Oriente Médio e adjacências como Irã e Líbia, aproximar-se-ia na retórica do de Obama.

Seria a primeira diferença na política externa se cotejada com a de seu antecessor Lula da Silva. Todavia, ao deslocar-se à China ainda em 2011, ela não abordaria o tema lá. Sua vontade na relação com grandes potências, como Washington e Pequim, seria a de estimular o incremento do comércio bilateral.

No campo multilateral, a dirigente acolheu o canto da sereia tal qual seus predecessores, ao acreditar na possibilidade de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CS/ONU) no curto prazo por encanecimento da instituição, vez que sua idealização remontava ao pós-II Guerra Mundial.  

Aos seus olhos, a modificação do órgão não seria mero ‘capricho do Brasil’, porém medida necessária para alçá-lo ao presente século com a correta calibragem de forças da comunidade global - http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-o-planalto/discursos/discursos-da-presidenta/discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-na-cerimonia-de-formatura-da-turma-2009-2011-do-instituto-rio-branco 

Referendou o simbolismo ufanista do início do mandato de Dilma Rousseff sua indicação, de acordo com o semanário Time, entre as cem pessoas mais influentes do planeta. Seu predecessor em oito anos havia sido escolhido duas vezes – 2004 e 2010.

Ela figurou na lista ao lado dos líderes da Alemanha, Estados Unidos, Israel, Grã-Bretanha, Coreia do Norte e França. Hoje, continuam Merkel, Netanyahu e Kim Jong-Un ao passo que democratas norte-americanos e trabalhistas brasileiros, por diferentes vias, foram defenestrados do poder em 2016.

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Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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