Estados Unidos e Brasil: a insistência frustrada de contato

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2013 assinala o falecimento de dois dirigentes marcantes em seus campos programáticos: na Grã-Bretanha, figura a conservadora Margaret Thatcher, primeira-ministra entre 1979 e 1990, membro da trinca neoliberal ao lado do republicano Ronald Reagan nos Estados Unidos, e do democrata-cristão Helmut Kohl na então Alemanha Ocidental.

Os três mandatários norte-atlânticos assistiram de local privilegiado à extinção da União Soviética (URSS), incapaz de renovar seu sistema político e econômico ao mesmo tempo nos anos 80. Com a vitória incontestável, o ideário euro-estadunidense sobrevive até hoje, malgrado a ausência de benefícios gerais para o globo.  
Na Venezuela, designa-se como contraponto ao posicionamento tradicional Hugo Chávez, proponente do bolivarianismo, visão de mundo em cujo centro se pregava haver elementos de solidariedade regional e de menor desigualdade social. Seu objetivo seria o de contestar a primazia neoliberal no continente.

Todavia, apesar da expectativa positiva no início de sua gestão, seu programa desandou, após quase década e meia à testa do poder. No entanto, o grupo mantém-se até o momento no comando do país, com Nicolas Maduro, conquanto com dificuldades cada vez maiores.  

Naquele período, Barack Obama começava seu segundo mandato, sem o aguardamento de alteração da postura diplomática de Washington concernente à América Latina, a não ser com Caracas, onde havia a possibilidade – logo depois frustrada – de ascensão de nome da oposição ao Miraflores. Incomodava também o Paraguai, porém o presidente Fernando Lugo havia sido destituído pelo parlamento local em junho de 2012.

No Brasil, a dirigente Dilma Rousseff, a despeito do baixo crescimento do produto interno bruto em 2012 (apenas 0,9%), auferia popularidade expressiva, ao atingir sua administração aprovação de quase 65%, acima, segundo a pesquisa, da dos dois antecessores imediatos - https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/03/19/dilma-cni-ibope.htm

Haja vista a relativa apatia – ou indiferença - existente entre os dois países, a Casa Branca iria propor ao Planalto visita de Estado, a primeira desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso em abril de 1995 – Collor de Mello e José Sarney haviam tido a mesma deferência - https://history.state.gov/departmenthistory/visits/brazil.

Este tipo de encontro é o ápice da relação bilateral perante a opinião pública, momento em que se celebra a satisfação mútua, seja por proximidade política significativa, seja por parcerias econômicas importantes. O rito é executado com cerimonial efusivo, como, por exemplo, com recepções militares e com banquetes.   

Com perfil (inadequadamente) tecnocrata, a presidente brasileira era, contudo, avaliada pelos Estados Unidos como menos tentada a medidas de teor populista na política exterior ou comercial como Lula da Silva.

Em função da diferença com o predecessor imediato, ela se teria afastado mais da própria Venezuela ou do Irã cujo programa nuclear agastava segmentos conservadores norte-americanos. No entanto, a manutenção do relacionamento com Cuba atarantava o Departamento de Estado.  

Entretanto, apesar da tentativa de maior aproximação, a visita, independentemente do status, não ocorreria em 2013 – haveria uma em junho de 2015, mas o desgaste interno da dignitária trabalhista não animaria a Casa Branca a conceder-lhe relevo. De toda forma, Washington, a despeito do peso comercial de Brasília, voltava os olhos para os países do Pacífico, não do Atlântico sul.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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