Estados Unidos-Brasil: esquecer os dissabores com a Casa Branca

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No Brasil, a eleição presidencial de 2018 representou de forma conjugada duas expectativas: a esperança de melhora da segurança pública e a perspectiva da diminuição progressiva e constante do desemprego, em face de meia década de crise econômica.

De modo subsidiário, houve também a renovação da crença na manutenção da moralidade política, ponto de bastante desgaste do trabalhismo após o ganho de quatro sucessivos mandatos, ainda que um deles exercido de maneira incompleta, por conta do rompimento do MDB em 2015 da coligação firmada em 2010.  

Perante isso, ocorreu, portanto, a convicção da sociedade na renovação sociopolítica - não o aprofundamento da estrutura da gestão encerrada há poucos dias - como havia sido alardeado por membros do presente governo durante o rápido período de transição.

Em meados de 2014, a administração trabalhista vislumbrava a inédita quarta vitória consecutiva, a despeito dos problemas latentes como o do baixo crescimento econômico, por exemplo. Outro tópico cuja repercussão posterior incomodaria ou inquietaria o Planalto seria o fracasso da seleção pátria na Copa do Mundo, após ser eliminada pelo time alemão por uma goleada incomum.  

Esperava-se que o porte do certame esportivo proporcionasse visibilidade suficiente ao Brasil para ser considerado no sistema internacional como país ascendente, ao demonstrar eficiência na organização, como na parte turística, e capacidade de prover a infraestrutura necessária – estádios ou arenas, rede hoteleira e transportes.

Outrossim, do ponto de vista interno, sediar o evento de que mais gostava a população local e no qual o Brasil costumava destacar-se ao longo da história era oportunidade política singular, malgrado a corrosão posterior diante das suspeitas de improbidade ou do vislumbre de desperdício quanto à construção dos campos de futebol.  

Em julho, já superado de maneira aparente o malogro desportivo - como outrora havia sido o da espionagem norte-americana, ao amenizar a governante o papel de Barack Obama no lamentável fato - a presidente Dilma Rousseff, em entrevista ao canal Al Jazeera, exaltou a própria gestão de forma incomum, ao esquecer-se do afamado ditado: elogio em boca própria é vitupério. Afirmaria a dirigente à tevê catariana:

“Acredito que o povo brasileiro deve-me dar uma oportunidade de um novo período de governo pelo fato de que nós fazemos parte de um projeto que transformou o Brasil (...) Nós oferecemos o seguinte: quem fez, sabe continuar fazendo, enquanto quem quando pode não fez, não sabe fazer. É simples a opção” - https://www.sul21.com.br/postsrascunho/2014/07/dilma-povo-deveria-me-dar-chance-de-um-novo-mandato

Na eleição presidencial daquela época, nenhum dos candidatos principais dedicou-se de fato à política externa, apesar da referência econômica inspirar-se nos Estados Unidos como no caso da candidatura sob rubrica da socialdemocracia ou socialista, após o falecimento de Eduardo Campos em acidente aéreo.

É possível que a ausência tenha sido de propósito; afinal, depois da vexação das revelações das bisbilhotices ilegais norte-americanas e do malogro na Copa do Mundo, seria melhor concentrar-se em promessas internas de melhora social.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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