Burguesia, mostra a tua cara!

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Este parece ser um momento apropriado para relembrar Cazuza. Da mesma forma que ele, achamos que o povo não foi convidado para a “festa pobre” que a burguesia e seus representantes políticos levaram a cabo desde sua derrota nas eleições de 2014, “festa” coroada em parte com o golpe contra o governo Dilma. Mais do que antes, essa burguesia e seus representantes tentam convencer o povo a pagar, “sem ver”, “toda essa droga que já vem malhada”, chamada “Projeto Para o Futuro” e “reformas modernizantes”.

Ao povo não oferecem nada bom. Sequer querem deixá-lo eleger seu candidato preferido. Por isso, ao invés de cobrar do Brasil, Cazuza cobrasse da burguesia e exigisse dela “mostrar a cara”. Afinal, é ela, através de seus especialistas em “economia financeira” e em “ciência política”, que exige do governo e dos parlamentares golpistas a execução das ditas “reformas” que, antes mesmo de serem aprovadas, já ampliaram o desemprego de 12 para 14 milhões. Isso embora as TVs e demais meios do Partido da Mídia continuem difundindo que a situação está melhorando. Por fim, dizem, foram criados, com carteira assinada, “30 mil novos postos de trabalho”.

Imagino Cazuza perguntando, indignado: “qual é o teu negócio? O nome do teu sócio?” Se estivesse vivo, ele certamente teria várias respostas a respeito das “delações” da Odebrecht, da JBS e, provavelmente, de outras que podem prolongar a Lava Jato “por mais um ano ou mais”. Afinal, ele não foi sorteado “garota do Fantástico”, não foi “subornado”, nem chegou ao fim vendo “TV a cores, na taba de um índio, programada prá só dizer ‘sim, sim’”.

Mas os burgueses, corruptores ativos e “delatores”, sorteados para contar como corromperam funcionários públicos e políticos, incluindo o presidente golpista e a maioria de seus ministros, garantiram uma vida de nababos, em mansões luxuosas e com verba milionária do que sobrou das “devoluções” que fizeram ao fisco. Um grande negócio!

Certamente, mais cedo ou mais tarde, todos esses corruptores “delatores”, assim como muitos dos corruptos “passivos”, serão sorteados para aparecerem em algo parecido à “garota do Fantástico”. Talvez por isso, como a burguesia finalmente está mostrando sua face real, continue atual o brado de Cazuza, a exigir “Brasil: mostra a tua cara!” Mais do que nunca só sobra ao povo ir para as ruas exigir “Diretas Já!” e “Assembleia Constituinte” exclusiva para reforçar e ampliar as conquistas populares e democráticas da Constituição de 1988.

Mas “ir para as ruas” exige das organizações populares e democráticas, mais do que antes, atenção para o caráter das forças em confronto e para as armadilhas e provocações que a direita social e política, patrocinada pela burguesia, pode armar para derrotar tal mobilização. A experiência histórica mostra que tal mobilização só será crescente se ficar demonstrado que a violência foi arma da direita, não dos setores populares.



Em outras palavras, a ação destrutiva de black blocks, mascarados e assemelhados, mesmo que tais grupos não sejam agentes policiais e lumpens infiltrados nas manifestações, é prejudicial ao crescimento da mobilização social, abrindo pretexto para medidas de força supostamente justificáveis para “coibir a baderna” e o “quebra-quebra”.

A violência popular só é justa e funcional ao aumento da mobilização social se for uma resposta à violência do governo espúrio. A este deve caber o ônus de utilizar suas forças policiais e militares para coibir as manifestações populares. O que exige das forças populares e democráticas medidas políticas e organizativas apropriadas, seja para a defesa das manifestações contra a violência da direita, seja para impedir infiltrações de grupos “destrutivos”.

Depois de tanto tempo, a retomada da mobilização popular e democrática não pode ser abortada por ações impensadas. É verdade que a direita está relativamente desarvorada em virtude das trapalhadas corruptas do governo golpista, e tem interesse em defenestrar Temer e sua equipe de corruptos.

Mas ela também não pretende permitir que as camadas trabalhadoras e médias, através de mobilizações massivas, imponham ao país um caminho popular e democrático que supere as deficiências do período 2003-2016. Em outras palavras, caminho que imponha à burguesia um desenvolvimento em que ela também seja obrigada a assumir o ônus de superar a desigualdade social.

Ou seja, ao invés de participar do processo de desenvolvimento somente se utilizando de dinheiro público, que a burguesia também tenha que investir parte de sua poupança (que não é pequena, como se vê pelos milhões distribuídos como propina) no crescimento industrial (incluindo a infraestrutura) e na distribuição mais equilibrada da riqueza produzida pelo trabalho.

Talvez assim possamos realmente exigir que a burguesia “mostre a sua cara” e, lembrando Cazuza, possamos garantir à “grande pátria, desimportante” que “em nenhum instante” vamos trai-la. A retomada das mobilizações sociais é o primeiro passo nesse caminho.

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Wladimir Pomar

Escritor e Analista Político

Wladmir Pomar

Comentários   

0 #1 RE: Burguesia, mostra a tua cara!sandro 02-06-2017 16:22
Parem de ler esse Blog por causa do W . Pomar : grande pelego e vendido para o grande capital e sim nenhuma comsciencia ecologica .
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