Uma coisa perversa: é quando não se aprende nada com a história!

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“[...].
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro os países conquistados aos conquistadores.
Prefiro guardar certa reserva.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
[...].
Prefiro ponderar a própria possibilidade
do ser ter sua razão”.
(WISŁAWA SZYMBORSKA,
versos do poema possibilidades,
Livro: Poemas,
Companhia das Letras, 2011, p. 87-88)

1. ÀS MULHERES

Às mulheres,
Pois foram elas
Que inventaram
A felicidade.

Às mulheres,
Pois foram elas
Que criaram
Os homens.

Às mulheres,
Pois foram elas
Que nos levaram
A perder o medo de amar.

Às mulheres,
Pois foram elas
Que nos ensinaram
Que não nascemos adultos.

Às mulheres,
Pois foram elas
Que quiseram
Que nós fôssemos
Outra metade.

Às mulheres,
Pois foram elas,
Ao seu modo,
Que deram um
Pedacinho da “costela”
Para que fôssemos criados
E aprendêssemos
A lutar pela vida!

2. A CHAMA DO TEMPO

Já foi longe minha sina
O destino curvou na estrada
E as margens carregam vestígios
Quão grande é o caminho
Ainda a ser trilhado...

Não faltará memória
Se aprendi sereno
Que o vento vem de longe
Acalmar minha alma
Quando bate em meu peito
Sopra forte me dizendo alguma
Coisa que ainda não sei...

Sinto a respiração
Mais forte ofegante
Depois me acalmo
Um passo racional
Vejo no horizonte
Um fiapo
Me ensinando
Que pode ser
Meu guia
No turbilhão
Da trama
Preciso escolher
Qual dia
Do que aprendi hoje
Vou construir o
Amanhã.
O tempo do amanhã
Só não será entristecido
Se o novo for criado
Com a chama da vida,
Pois ela é a guia
Do tempo!

Vejo vultos e vozes
Esperanças e dores
Vejo mais longe ainda
Uma gota de lágrima
Querendo brotar
Flores!

3. O ESCONDERIJO DOS SONHOS

Meu diário de anotações
Escritos borrados de ontem
Versos rasurados pelo tempo
Esconderijos dos que sonham
Nos guardados da vida
As feridas cicatrizam
Quando na alma são curadas
Se tornam sonhos
Que não podem ser destruídos!

4. JÁ PENSEI TANTA COISA...

Já pensei tantas coisas...
Já falei de minhas peripécias
Já andei de madrugada
Já chorei injustiças
Já senti o orvalho caindo
Já servi meu prato quase vazio
Já sofri o frio que chegava
Já engoli a dor atravessada no peito
Já dormi com insônia
Já perdi a paciência
Já quis desistir no meio do caminho
Já cansei da ignorância
Já fiquei triste com a frieza
Já guardei minhas lágrimas
Já sofri resistindo na luta
Já procurei o vulto da esperança
Já pensei noite adentro perdido
Já desfiz aos poucos a amargura
Já fui nos meus olhos abrindo horizontes
Já senti não é a hora de desistir!
Já pensei tantas coisas...

(A NICANOR PARRA, in memoriam, poeta chileno.
Faleceu, em 23 janeiro 2018, aos 103 anos de idade)

Roberto Antonio Deitos Poeta e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste.

Roberto Antonio Deitos

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