Edição 1039

  • "Brasil não vai dar certo apostando somente em mecanismos penais"

    alt“Só quatro partidos votaram a favor da abertura de voto para a anistia ao caixa 2. Os outros não disseram a que vieram”.

     

  • Força, Chape!

    altBoas campanhas na Série A, eliminação na Copa Sul-Americana para o River Plate e finalmente um catarinense chega a uma final internacional. A defesa de Danilo no último lance contra o San Lorenzo é para a posteridade.

     

  • Cobaias humanas: uma tragédia africana

    RemédiosPara cada teste de cada droga nova, são necessários cerca de quatro mil voluntários. O problema é que pouco mais de um entre vinte norte-americanos aceitam participar. O mesmo não acontece na África e na Ásia.
  • A Polícia Federal e "os intocáveis"

    PFGraças à Polícia Federal, à imparcialidade do Ministério Público e ao sigilo das investigações, tubarões têm caído na rede. Pena que as nossas leis sejam tão frouxas e o Judiciário cheio de dedos para puni-los.
  • Fim da RCTV acua a mídia golpista

    Hugo ChávezPara os que não se iludem com a ditadura da mídia e nem se deixam intimidar com os falsos apelos sobre a “liberdade de imprensa”, o fim da concessão da RCTV é uma vitória da democracia. Altamiro Borges.
  • PAC, o Brasil que nunca muda

    binoculoscolor.jpgDo ponto de vista qualitativo, as obras do PAC em nada diferem das obras propostas por FHC, grande parte das quais sequer saiu do papel. Por Roberto Malvezzi.
  • "Omertà"

    CorrupçãoQuando os organismos do Estado prestam reverência ao deus mercado, não dá outra. Os escalões intermediários fazem negócios e a cumplicidade dos altos escalões abafa qualquer tentativa de investigação.
  • Che, militante da justiça

    Che Guevara Em plena onda neoliberal que assola o planeta, a figura de Guevara emerge como alento de esperança e exemplo a todos que acreditam que enquanto houver uma só pessoa faminta, oprimida, excluída, é preciso seguir lutando.
  • Desobediência Civil

     

    Reproduzimos abaixo um manifesto sobre a desobediência civil, motivado pelos acontecimentos na USP. É um texto que recupera a tradição histórica da ação direta, bem cara aos anarquistas de todos os tempos. Ao final, um email para os que se interessarem em assinar o manifesto.

     

    ***


    Sobre a desobediência civil

    Diante das manifestações de membros da comunidade acadêmica, inclusive de cientistas sociais, desqualificando a estratégia de desobediência civil e ação direta adotada pelos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) que ocuparam a reitoria, gostaríamos de chamar atenção para alguns pontos.

    Os críticos da ocupação enquanto estratégia argumentam que ela fere não apenas o princípio da legalidade, como também a civilidade e o diálogo e que, portanto, trata-se apenas de uma ação violenta, autoritária e criminosa.

    As instituições civilizadas que esses críticos defendem, do voto universal para cargos legislativos até os direitos trabalhistas e as leis de proteção ambiental foram frutos de ações diretas, não mediadas pelas instituições democrático-liberais: foram fruto de greves (num momento em que eram ilegais), de ocupações de fábricas, de bloqueios de ruas. Não é possível defender o valor civilizatório destas conquistas que criaram pequenos bolsões de decência num sistema econômico e político injusto e degradante e esquecer das estratégias utilizadas para conquistá-las. Ou será que tais ações só passam a ser meritórias depois de assimiladas pela ordem dominante e quando já são consideradas inócuas?

    As ações diretas que desobedecem ao poder político não são um mero uso de força por aqueles que não detêm o poder, mas um uso que aspira mais legitimidade que as ações daqueles que controlam os meios legais de violência. Talvez fosse o caso de lembrar, mesmo para os cientistas sociais, que nossas instituições democrático-liberais são instrumentos de um poder que aspira o monopólio do uso legítimo da violência. Há assim, na desobediência civil, uma disputa de legitimidade entre a ação legal daqueles que controlam a violência do poder do estado e a ação daqueles que fazem uso da desobediência reivindicando uma maior justiça dos propósitos.

    Os críticos da ocupação da reitoria, em especial aqueles que partilham do mesmo propósito (a defesa da autonomia universitária) , podem questionar se a ocupação está conquistando, por meio da sua estratégia, legitimidade junto à comunidade acadêmica e à sociedade civil. Esse é um dilema que todos que escolhem este tipo de estratégia de luta têm que enfrentar e que os ocupantes estão enfrentando. Mas desqualificar a desobediência civil e a ação direta em nome da legalidade e da civilidade das instituições é desaprender o que a história ensinou. Seria necessário também lembrar que mesmo do ponto de vista da legalidade, nossas instituições não vão tão bem?

    Independente de como a ocupação da reitoria termine, ela já conseguiu seu propósito principal: fomentar a discussão sobre a autonomia universitária numa comunidade acadêmica que permaneceu apática por meses às agressões do governo estadual e que só acordou com o rompimento da ordem.

    Adma Fadul Muhana, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    Alessandro Soares da Silva, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP
    Alvaro Bianchi, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel, doutoranda do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Arley R. Moreno professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Armando Boito, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Candido Giraldez Vieitez, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP
    Cilaine Alves Cunh, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    Cristiane Maria Cornelia Gottschalk, professora da Faculdade de Educação da USP
    Dora Isabel Paiva da Costa, professora da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP
    Eleutério Fernando da Silva Prado, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP
    Felipe Luiz Gomes e Silva, professor da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP
    Hivy Damasio Araújo Mello, doutoranda do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Homero Santiago, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    Isabel Loureiro, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP
    João Adolfo Hansen, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    João Bernardo, escritor e professor
    João Quartim Moraes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Jorge Machado, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP
    Laymert Garcia dos Santos, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Luiz Renato Martins, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP
    Marcos Barbosa de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da USP
    Marta Maria Chagas de Carvalho, professora da  Faculdade de Educação da USP e da Universidade de Sorocaba
    Neusa Maria Dal Ri, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP
    Otília Arantes, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    Pablo Ortellado, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP
    Paulo Eduardo Arantes, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    Ricardo Antunes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP
    Ricardo Musse, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
    Rubens Machado Jr., professor da Escola de Comunicação e Artes da USP
    Soraia Ansara, professora da Faculdade Brasílica de São Paulo

    Estamos colhendo assinaturas ao texto anexo em resposta a artigos e emails que estão circulando desqualificando as estratégias de desobediência civil. Por favor, envie um email (para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.) se quiser assinar. Sinta-se a vontade para enviar para outros colegas que possam estar interessados.

     

  • Jornada de lutas dá início ao fortalecimento da esquerda brasileira

    23 de maioAs manifestações atraíram cerca de 1,5 milhão de pessoas em todo o país e foram, segundo avaliação das próprias entidades organizadores, um imenso sucesso. Artigo de Mateus Alves.