Dinheiro ou preservação?

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já nos primeiros dias de mandato, autorizou a construção de dois polêmicos oleodutos criticados por ambientalistas. No mandato de Obama, um dos oleodutos ora decretados havia sido vetado justamente pelo impacto ambiental que ocasionaria.
         
É possível aqui relacionar essa questão política com a contemporaneidade da ética. Os teóricos atuais que desenvolvem trabalhos no campo da ética, notavelmente se destacam pelo ensaio de uma ética socioambiental, ou seja, uma teoria que descamba na prática e que é uma resposta ao momento vivido pelo mundo contemporâneo. Em suma, nesse sentido, a ação humana se volta para a realidade da natureza (meio ambiente e seres humanos), e diante das condições constatadas na atualidade vê a necessidade de um princípio de responsabilidade, como fala o filósofo Hans Jonas.
         
Será que as mais variadas manifestações da natureza como desastres e desajuste do natural, tais como alteração climática, derretimento das geleiras, desaparecimento de espécies, dentre uma imensidão, não são suficientemente capazes de alertar o homem – inclusive de que ele próprio tem possibilidade de desaparecer?

Há quarenta anos, Hans Jonas, em outras palavras, já explicitava um aprendizado da crise (que à época não era como hoje), e acenava para a necessidade de que a concepção crítica da natureza deve provocar mudanças na ação humana. Quando a técnica respaldada e patrocinada pela ambição desmedida de progresso, no sentido de aumento do domínio do homem sobre a natureza, venda os olhos inclusive dos que detêm o poder de ajudar na minoração dos quadros ambientais, enquanto condutores de potências econômicas se observa, de fato, que não se pretende, mesmo com tanto tecnologia, promover o bem da humanidade e a manutenção das possibilidades de sua continuada existência.

Para além de uma aparente cegueira, o ruído dos motores da civilização tecnicista tem cada vez mais destruído o meio ambiente e parece também ensurdecer o ser humano, que se torna incapaz de ouvir a voz da Terra. Sobrepor a economia à preservação das diferentes formas de vida da Terra e aos alertas que quotidianamente se apresentam, não como novidade ou jogo de interesses, resulta na situação atual, que insiste em se preocupar com o aqui, o agora e o lucro.

A conjugação, ainda que em desvantagem gritante da efetivação de medidas políticas com ação responsável, a prezar a preservação ambiental agonizante, parece um caminho mais sensato.

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Felipe Augusto Ferreira Feijão é estudante de Filosofia.

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