Dia do Meio Ambiente: governo anuncia novas áreas de proteção

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Enfim, uma boa notícia na área ambiental. Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, o governo assinou decreto criando mais uma Unidade de Conservação (UC) – o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no Pará – e ampliando outras três – o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a Reserva Biológica União, no estado do Rio de Janeiro, e a Estação Ecológica do Taim, no litoral do Rio Grande do Sul.

No total, serão 282 mil hectares de áreas protegidas pelo governo federal, o equivalente a quase 10% do território nacional.

Houve uma grande campanha para que o decreto de ampliação da Chapada dos Veadeiros fosse finalmente assinado, como mostramos aqui recentemente.

Ocupando 25% do território brasileiro, o Cerrado é o segundo maior bioma do país e um dos mais ameaçados. Chamado de berço das águas, nele estão a bacia hidrográfica do rio São Francisco e três aquíferos – Guarani, Bambuí e Urucuia. Além disso, o Cerrado tem a flora mais antiga da Terra e diversas espécies de animais endêmicas (que só existem no Brasil), alguma delas, infelizmente, ameaçadas de extinção.

A iniciativa para o aumento da área protegida da Chapada dos Veadeiros, localizada em Goiás, se deu graças aos esforços de especialistas do Ministério do Meio Ambiente, através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), junto com ambientalistas. O parque foi ampliado de 65 mil hectares para 240 mil hectares, ou seja, quase quatro vezes seu tamanho atual. Serão agora duas áreas descontínuas, cortadas pela BR 239.

A extensão da área de proteção de Veadeiros é importantíssima para a sobrevivência de espécies endêmicas (que só existem ali e em outro lugar nenhum do planeta) da fauna e flora, como o cervo-do-Pantanal, lobo-guará, pato-mergulhão e a onça-pintada, maior mamífero carnívoro da América do Sul. Para estes animais, de grande porte, ter mais espaço para circular e procriar é fundamental.

“A ampliação é um sopro de esperança para uma relação harmoniosa do homem com a natureza e para a vida da Chapada dos Veadeiros e do Cerrado”, comemorou o chefe da unidade, Fernando Tatagiba.

Ganhos para a conservação da natureza e o turismo

A partir de ontem, o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no Pará, é a mais nova Unidade de Conservação do Brasil. A maior parte de seu território está situada no município de Canaã, ao lado da Floresta Nacional de Carajás.

Segundo o ICMBio, "a região é coberta por florestas e, principalmente, por savanas conhecidas como vegetação de canga ou campos rupestres ferruginosos, tipo raro de ecossistema associado aos afloramentos rochosos ricos em ferro. O local é repleto de ambientes aquáticos, com cachoeiras boas para banho, e cavernas. Abriga espécies da fauna e flora endêmicas e ameaçadas de extinção".

O trabalho agora é preparar o parque para o recebimento de turistas e – principalmente -, a estrutura e os projetos para a conservação do mesmo.
Uma das outras UCs que teve sua área estendida foi a Reserva Biológica (Rebio) União, que fica entre os municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé, no estado do Rio.

Com 6 mil hectares a mais, graças ao novo decreto, ela é importantíssima para a preservação do mico-leão-dourado. Foi por causa da quase extinção da espécie que a unidade foi criada, em 1998. Um trabalho de conservação, que contou com apoio internacional, para a reintrodução de animais oriundos de populações em cativeiro de 140 zoológicos de diversos países.

Endêmico do Rio de Janeiro, o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é um dos símbolos da luta contra a extinção de diversas espécies nativas do Brasil. Graças aos esforços de algumas entidades, o número de indivíduos fora de cativeiro aumentou muito nas últimas décadas. Estima-se que na década de 60 restavam apenas 200 na natureza. Em 2014, uma contagem na Reserva Biológica de Poço das Antas revelou aproximadamente 3.200 vivendo no local.

Por último, a Estação Ecológica do Taim, no extremo sul do país, é uma área de banhados, com grande extensões de matas de restinga, lagoas e canais, e que serve de parada aves migratórias que vêm do Canadá, Estados Unidos e sul da Argentina.

Suzana Camargo é jornalista do Conexão Planeta, onde a matéria foi originalmente publicada. Com informações do ICMBio.
 

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