Os golpes invisíveis

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Há uma série de golpes contra o povo, promovidos a partir de 2016, que a sociedade não vê claramente, mas já impactam a vida das populações mais vulneráveis.

Os cortes na saúde já chegaram dentro dos hospitais. Com uma pessoa da família enferma, pudemos ver que faltava até gaze para fazer os curativos. Os profissionais pediam que as famílias comprassem os materiais necessários para os cuidados devidos.

Médicos de um hospital público nos diziam em off que não receberiam mais pacientes, já que não tinham condições sequer de atender os que já estavam sendo atendidos.

Houve corte nos programas fundamentais de “convivência com o Semiárido” aqui no sertão. Estão sendo complementadas construções de cisternas para beber e produzir apenas com o resto das verbas advindas dos governos anteriores. Uma vez encerrados esses contratos, não há perspectiva alguma de renovação.

É bom lembrar que o que mudou a cara do sertão não foram as grandes obras, como a Transposição, mas a malha de pequenas obras hídricas que atendem as famílias onde elas moram. Numa seca de sete anos, esse é o presente do atual desgoverno.

O aumento de 20% na violência brasileira tem a ver com a lei do mais forte, do salve-se quem puder, da violência como parteira histórica dessa sociedade desigual, injusta e excludente que é o Brasil. Sem nenhuma novidade no ar, a maioria dos assassinados são jovens, negros e pobres.

A redução do poder dos salários – voltamos aos níveis de 2012 -, o desemprego de 14 milhões de brasileiros e a redução drástica nos investimentos públicos paralisaram não só a economia, mas o sonho de uma vida mais digna para milhões e milhões de brasileiros.

No campo, aumentou a violência, permitiram-se mudanças na legislação ambiental, trabalhista e na venda de terras brasileiras aos estrangeiros, parecendo a abertura das portas dos infernos contra posseiros, quilombolas e indígenas. Primeiro se matava de um a um, agora cada chacina mata dez em média.

O que está em jogo no Brasil não é PSDB x PT, nem Dilma x Temer, nem outro clichê jornalístico que permeia o facebook ou outras redes sociais, mas 1% dos ricaços brasileiros contra 99% do povo. Essas reformas visíveis e invisíveis nos levam a uma sociedade primitiva e cada vez mais cruel. O que está em jogo é se queremos ser uma país civilizado ou se nos tornamos definitivamente o inferno de Dante.

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Roberto Malvezzi é agente pastoral no Semiárido.

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