O PT queria mesmo o impeachment de Temer? Ou correu para não chegar?

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No dia 2 de julho, baseado em informações de bastidores, abri um texto no blog da seguinte maneira:

“Os advogados do Lula, Dilma, Temer e Aécio articulam o lançamento de um manifesto conjunto para questionar as ilegalidades cometidas pelo Judiciário e o Ministério Público no combate à corrupção. Dramatizando um pouco, pleitearão o fim do Estado de Exceção..."

Evidentemente, isto não aconteceu... Por enquanto.

Talvez o fato de seu intento ter vindo a público e repercutido mal os haja levado a reconsiderar. Talvez estivessem esperando o desfecho da nova novela de impeachment presidencial. Ou, ainda talvez, fosse tão-somente um boato.

Meu critério, nessas situações, é: da torrencial boataria que inunda as redes sociais e a blogosfera, só escrevo sobre o que se non è vero, è ben trovato, como outrora diziam os italianos. Se não é verdade, foi muito bem contado, numa tradução aproximada.

É o chamado óbvio ululante que tal aliança tática conviria mesmo aos quatro personagens em questão, muito mais do que manterem a postura, que adotam para uso externo, de inimigos figadais uns dos outros.
 
Meus 34 anos de carreira jornalística me ensinaram que políticos profissionais parecem lutadores do Ultimate Fighting se encarando e hostilizando durante a pesagem que antecede as lutas; tão logo saem da frente do público e das câmeras, abraçam-se e riem juntos dos ingênuos que acreditaram na sua encenação.

Portanto, sugiro aos leitores que considerem seriamente a possibilidade de estar certíssima a jornalista Helena Chagas, do ótimo site Os divergentes, ao levantar a hipótese de que, no fundo, no fundo, Lula queria mesmo é que Temer escapasse ileso, aumentando as chances de ambos se darem bem no confronto com a Lava Jato:

A impronunciável aliança Lula-Temer pela sobrevivência

Helena Chagas

Ainda está mal contada a história da oposição na votação que enterrou a denúncia contra Michel Temer no plenário da Câmara. A derrota está explicada pela razão mais básica de todas: os oposicionistas não tinham mesmo os 342 votos para afastar o presidente. Mas, para muita gente, o PT e seus aliados entregaram o jogo fácil e cedo demais.

Ao final da sessão, o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), ex-líder de Dilma Rousseff, apontava o placar de 263 votos governistas para acusar seus colegas de oposição. Segundo ele, o PT precipitou-se ao dar quórum de 342 para a votação, o que o Planalto não teria conseguido sozinho.

Para uma parte dos oposicionistas, que incluía o PSOL e a Rede, a melhor estratégia, para quem ia perder, era adiar a votação e o desgaste do governo.

Também não ficou bem explicado por que o PT, a CUT e os movimentos sociais a eles ligados não moveram uma palha para encher as ruas de manifestantes. Mesmo abatidos, eles ainda têm poder de fogo para fazer mais barulho do que se ouviu Brasil afora.

Por que, então? – é a pergunta que não quer calar.

O argumento (de Luciana Genro, numa entrevista à Folha de S. Paulo) de que, para a candidatura Lula ou de outro petista em 2018, é bom manter o desgastado e impopular Temer no ar faz algum sentido.

Mas não explica tudo. Afinal, derrubar Temer, que derrubou Dilma e é apontado como golpista pelo PT, seria também um jeito de dar a volta por cima.

O que se comenta nos bastidores é que a explicação de tudo estaria numa subterrânea e impronunciável aliança entre Lula e Temer. Não em torno de reformas nem de eleições, mas da sobrevivência.

Como? Em torno da aprovação de projetos para atenuar os efeitos da Lava Jato sobre seus acusados. No caso dos dois, por exemplo, aprovando um dispositivo que estendesse o foro privilegiado do STF aos ex-presidentes.

É bem provável que essa história seja melhor contada nas próximas semanas.

Celso Lungaretti é jornalista.
Blog: Náufrago da Utopia.

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