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Estou atônito, enquanto penso no que sempre fizeram com todos aqueles que ousaram alterar a ordem das coisas estabelecidas neste país. O destino sempre foi este: a masmorra, o exílio ou a morte.

Minha geração só não estava acostumada. Os livros, por mais devorados que tenham sido, não me deram a dimensão exata.

Fico a lembrar de Josué de Castro, coitado, que morreu deprimido porque foi enxotado do país. Lá fora o colocaram como Diretor-Geral da ONU, enquanto ele queria estar no Capibaribe, criando política pública para os famélicos.

Celso Furtado, outro inglório militante do desenvolvimento à brasileira, viveu no expurgo.

Darcy Ribeiro tentou colocar os indígenas na pauta. Foi expulso do país. Tentou educar as crianças. Morreu fugindo do hospital para se tratar, como diz a música.

O Brasil é o Brizola sendo ridicularizado como defensor de bandido.

O Brasil é o quarto de despejo da Carolina Maria de Jesus.

O Brasil é o Frei Tito enforcado numa árvore.

O Brasil são os tiros que mataram Chico Mendes.

O Brasil são as quatro balas na cabeça da Marielle.

É isso: um país de elitismo miserável, fome e assassínio.

O Brasil é a acumulação por espoliação.

O Brasil não é o “capital produtivo”. Não fazemos a menor ideia do que seja isso.

A riqueza do Brasil existe pela miséria generalizada, inclusive a intelectual, e dela é eterna dependente.

Aqui só mesmo o capital destrutivo, mesquinho, parasitário, genocida, escravocrata.

Eis o Brasil. Um país que sobrevive transformando corpos em estatísticas.


Fagner Torres é jornalista e apresentador do Lado B Rio, podcast semanal veiculado pela webrádio Central3.

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