Que Congresso é esse?

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Em artigo recente sobre a sessão da Câmara dos Deputados que majoritariamente votou contra a admissibilidade de processo contra Temer no STF, Leonardo Boff se posicionou: “o que a sessão mostrou foi a real natureza de nossa democracia que se nega a si mesma. Se a medirmos pelos predicados mínimos de toda democracia, que são o respeito à soberania popular, a observância dos direitos fundamentais do cidadão, a busca de uma equidade mínima na sociedade e o incentivo à participação, o bem comum, além de uma ética pública reconhecível, então ela comparece como uma farsa e como uma negação de si mesma”.
 
A situação de quantidade expressiva de membros do Congresso envolvidos em corrupção denota o que pode se esperar deles. “Como iriam votar a favor da admissibilidade de um julgamento de um Presidente pelo Supremo Tribunal Federal se cerca de 40% de atuais deputados respondem a vários tipos de processos na Corte Suprema? Vigora sempre um conluio secreto entre os criminosos ou acusados como tais”, disse Boff.
 
Um governo altamente impopular, que parece atender interesses abstrusos, marcha com o objetivo de aprovar as chamadas reformas. Qual a finalidade de reformar? Em nota sobre o assunto a CNBB afirma que “nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são Lei das Terceirizações e Reforma Trabalhista, bem como a proposta de Reforma da Previdência. É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade”.
 
Infelizmente, a estrutura que cada vez mais se instala não está aberta ao diálogo, sobretudo com os que quando aos poucos conseguem mudanças significativas através de avanços sociais são barrados pelo vício censurador que entra em jogo e condiciona a situação atual a outras semelhantes, registradas pela história recente.
 
É preciso, pois, que se atente ao fato de que tal estrutura desgastada, viciada e maculada não oferece mais esperança de que se possa realizar a efetivação de uma representação que se coloca ao lado dos que mais padecem perante o constante estado agonizante que atinge a vida de todos.

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Felipe Augusto Ferreira Feijão é estudante de Filosofia da UFC.

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