Correio da Cidadania completa 25 anos em 2021

Prezadas leitoras e prezados leitores;

Neste ano de 2021, o Correio da Cidadania completará 25 anos de jornalismo responsável e comprometido com o desenvolvimento social, econômico, político, cultural e ambiental do nosso povo, de nós todos, incluindo esta humilde e descapitalizada redação.

Queremos agradecer a todas e todos que estão e estiveram conosco nessa longa caminhada: leitores, colunistas, interlocutores, antigos repórteres e editores, enfim, todos que nos ajudaram a chegar até aqui. Alcançamos o meio quarto de século que coloca o nosso jornal como um dos portais independentes mais antigos em atividade no Brasil. Sem o apoio de vocês, o projeto já teria se encerrado. Muito obrigado.

Fundado em 1996 por Plínio de Arruda Sampaio – importante intelectual e militante brasileiro, parlamentar deposto após o golpe militar em 1964, fundador do PT, do PSOL, ex-candidato à presidência do país e importante militante de base católica –, o Correio da Cidadania presenciou, analisou e cobriu nas últimas duas décadas e meia uma série de acontecimentos políticos e sociais de relevância nacional e internacional.

Com o boné do MST, fala a trabalhadores rurais em manifestação realizada na Praça da Sé, no dia 21 de abril.
Plinio com o boné do MST, fala a trabalhadores rurais em manifestação realizada na Praça da Sé, no dia 21 de abril de 2014.

Passado

Em nossos primeiros passos, ainda nos anos 90, éramos um jornal impresso e semanal, que trazia um noticiário sindical aliado a boas entrevistas e análises. Era o momento das lutas contra o neoliberalismo que se apresentava no país, representado pelo então governo FHC. Eram tempos em que o PT era um partido popular de fato e estava nas ruas, criava espaços de conversa, discussão e participação, muito diferente do que vemos hoje em dia; e com o Plínio e mais alguns ótimos jornalistas à cabeça, lá estava o Correio da Cidadania.

Veio a virada do século e assim como o restante do planeta, o Correio precisou se atualizar e entrar no meio digital. Foi aí que surgiu o nosso site, o mesmo endereço da ‘home’ que você acessa hoje. E a cada vez maior popularização da internet somada ao encarecimento dos custos de impressão fizeram o Correio mergulhar de vez na rede mundial de computadores e abandonar o impresso ainda nos primeiros anos deste milênio.

Eram tempos de esperança. As campanhas das esquerdas como um todo e do PT em particular nos traziam a sensação de que sim, poderíamos finalmente ter um governo não vinculado aos grandes proprietários apto a transformar o país para melhor. Nessa época, inclusive, o então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva publicava artigos por aqui expondo suas ideias para o país.

Acompanhamos a eleição de Lula e em seguida seus mandatos. Não por acaso nos tornamos o primeiro jornal independente crítico ao lulismo, com viés evidentemente progressivo, jamais reproduzindo o antipetismo fascistóide que fez a cabeça de uma geração inteira, inclusive pessoas recém-politizadas. Naquele mesmo momento, nosso fundador Plínio de Arruda Sampaio e outros descontentes com o partido e seu governo buscavam a fundação do PSOL como uma força alternativa ao PT. E ao longo dos anos que passaram mantivemos uma postura firme, séria, crítica e altamente reflexiva a respeito da experiência petista no poder, ao mesmo tempo em que buscávamos contribuir para a construção uma alternativa, colocando-nos sempre ao lado dos pobres, trabalhadores(as), explorados(as) e deserdados(as) da nossa sociedade.

É bom pontuar que o Correio da Cidadania nunca se prestou a ser um puxadinho do PSOL e, apesar da proximidade com alguns quadros respeitáveis do partido, o jornal sempre manteve sua independência e a liberdade de criticar a legenda.

Presente

Mas os tempos estão constantemente em movimento e nesta última década não foi diferente. As redes sociais foram ganhando protagonismo na vida das pessoas com a já consolidada ‘popularização da internet’ e uma constante popularização dos chamados ‘celulares inteligentes’. Politicamente, começou a apertar uma forte crise de representação, especialmente entre os jovens, que não se identificavam com a velha oligarquia política e tampouco com o desvirtuado PT. Veio junho de 2013 e, novamente, o Correio estava lá. Não embarcamos em teorias conspiratórias e outras deliberadamente desonestas a respeito do evento e tentamos, na medida do possível, oferecer espaço para as novas vozes jovens e rebeldes que construíram essas jornadas ao longo de uma década inteira e que ainda hoje reverberam por aí. Apanhamos muito por isso, mas não nos arrependemos de nada. Até porque aqueles que tentam condenar a rebeldia popular não aparelhada pouco ou nada apresentaram de útil à sociedade desde então.

Veio a Copa do Mundo de 2014 e, em seu dia mais triste, aquele em que nos chocávamos com a icônica e implacavelmente metafórica derrota por 7 a 1 para os alemães, também chorávamos a perda do nosso fundador Plínio de Arruda Sampaio. Novos tempos já estavam em eclosão, não apenas para o Correio, mas para todo o país, quiçá o mundo.

Em nosso caso particular, havíamos perdido nosso principal financiador, fundador e articulador político, e tínhamos tarefas diversas a cumprir. Além de uma atualização técnica do site, que só veio em 2016, precisávamos criar um esquema de financiamento coletivo razoavelmente eficaz para que o jornal não fechasse, e do zero. Além, é claro, de acompanhar e informar a respeito do que viria adiante: as controversas eleições de 2014, o estelionato eleitoral de 2015 com seu odioso ajuste fiscal, o processo de impedimento em 2016 e tudo o que seguiu até este triste momento nacional em que passamos por um 2020 devastador que, além de acumular crises e problemas anteriores, ainda nos trouxe como novidade uma pandemia largamente utilizada pelas atuais autoridades como arma de destruição em massa e chantagem política.

Lá em 2015 quando nossa campanha começou a funcionar, as coisas eram um pouco mais fáceis. Éramos em quatro nessa época, hoje somos dois. As crises apertaram e infelizmente as coisas foram ficando mais difíceis de modo geral. Assim fomos perdendo, ao longo dos últimos anos, muitos dos nossos doadores, além, claro, daqueles que muitas vezes não entendem ou não aceitam uma independência editorial forjada na prática e, assim, retiraram seu apoio. Mas aos trancos e barrancos, cá estamos. Firmes e fortes. Não tanto quanto gostaríamos, pois precisamos trabalhar em outras frentes para nos manter e manter o jornal, mas sim, firmes e fortes.

Em nosso editorial, publicado em 1998 na Edição Número 100, o editor de então nos relembrou dos princípios que inspiraram o jornal, e que você pode ler a partir da imagem abaixo:


Edição 100, 1998.

Merece a atenção o parágrafo que descreve a potência que pode ter um pequeno jornal, usando como exemplo o I.F. Stone’s Bi-Weekly, pequeno jornal que entrou para a história como linha de frente contra a guerra do Vietnã, nos EUA, e que durou 19 grandes anos. Mal sabiam nossos editores de 22 anos atrás que o Correio da Cidadania chegaria a um quarto de século, sobrevivendo às mais diversas conjunturas em um país caótico como o Brasil, mais longevo do que o próprio exemplo de inspiração.

Reler este editorial de tanto tempo atrás nos traz forças para continuar o trabalho ao lado de cada um de vocês, além, é claro de um orgulho pessoal por havermos mantido, até hoje, os valores que nortearam a criação do jornal. Não nos rendemos às técnicas de SEO, nem às manchetes sensacionalistas, nem a burocratização que reina nas redações, nem tampouco nos tornamos uma empresa de aplicação financeira, práticas que atualmente são regra nas reduzidas e ‘dinâmicas’ redações da atualidade.

Futuro

Como dito, vivemos tempos muito difíceis, tanto enquanto povo e sociedade como no caso particular do nosso jornal. O que já era um cenário de enormes desafios para a classe trabalhadora e todo o campo popular, ou seja, para todos nós, com a pandemia e a sabotagem oficial se amplificou e escancarou. Em tempos como esses precisamos do jornalismo mais do que nunca, e sobretudo de um jornalismo independente e comprometido com o seu leitor, como o Correio da Cidadania o é, há 25 anos. Mas é exatamente nesses momentos que o jornalismo independente também precisa do apoio da sua comunidade de leitores.

Portanto, convidamos a todos que admiram essa história e o nosso trabalho atual a contribuir mensalmente com o nosso jornal. E, se não puder contribuir economicamente, pedimos que nos ajude lendo e divulgando este trabalho. Temos planos para o futuro, e projetos que há tempos queremos tirar do papel para que nosso jornal cresça, atinja mais pessoas e possa realizar investigações e coberturas com mais substância. Mas sem recursos isso será impossível. Ou seja, sem o apoio e a ajuda das nossas leitoras e dos nossos leitores, em forma de audiência, divulgação e financiamento, será impossível realizar.

Para fechar, e independentemente de tudo o que foi dito nesta carta, desejamos a todos vocês um 2021 melhor do que nos foi 2020 e os anos anteriores. Até maio, será lançado um pequeno livro sobre o arrasador ano que passou, uma coletânea de entrevistas e análises de nossa equipe de repórteres e analistas.

Que seja um ano de muita luta, trabalho, alegrias e vitórias para todos nós.

Abraços fraternos e solidários dos editores do Correio da Cidadania,

Gabriel Brito e Raphael Sanz


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