29M: Basta de Bolsonaro e sua turma!

No último sábado (29) a população brasileira tomou as ruas das principais cidades do país para soltar um grito que estava entalado: “Fora Bolsonaro”.

Foi tão grande que até cidades médias consideradas redutos bolsonaristas como Blumenau e Balneário Camboriú, ambas em Santa Catarina, registraram sua insatisfação contra um governo amplamente intitulado de genocida e cuja percepção de que é mais letal do que o próprio vírus se alastrou pelo país.

Na tarde em que publicamos esta matéria ultrapassamos os 465 mil mortos pela Covid-19, fora os cerca de 30% de subnotificação que geralmente aparecem no noticiário científico. Ainda convivemos com a disseminação de variantes nacionais e estrangeiras num momento em que estamos longe de vacinar amplos setores da população, enquanto acompanhamos ao vivo pessoas ligadas à gestão federal da pandemia abusarem das nossas inteligências com mentiras e total ausência de vergonha na cara nos depoimentos da “CPI do Genocídio”.

Faltou oxigênio em Manaus, sobrou orçamento para leite condensado e bonecos do Rambo para as Forças Armadas. Faltou política externa para negociar a chegada de vacinas ainda em setembro, sobraram médicos colaboracionistas fazendo campanha por remédios, como a Cloroquina, sem qualquer evidência científica no tratamento da Covid-19, mas com um estoque de não sabemos quantos anos, ou décadas, nos armazéns das Forças Armadas, pago com o dinheiro das nossas vacinas. Aliás, dinheiro não há para um auxilio emergencial um pouco menos miserável, “peguem empréstimos no banco” rebateu o presidente, mas há muita grana, é claro, para financiar uma mansão de luxo do filho do presidente e uma Copa América da qual, se tudo der certo, não ocorrerá.

Falando, em Copa América, é simplesmente odioso ver membros do govern inventarem na CPI que não conseguiram ver os e-mails dos executivos da Pfizer sobre vacinas, mas atenderem ao apelo do circo mercenário do futebol desesperado por uma sede de seu esvaziado espetáculo em poucas horas.

Pra não falar em outras tragédias nacionais que vão escalando cada dia mais, como por exemplo a da letalidade policial contra as populações negra, indígena e periférica, como pudemos ver no Massacre do Jacarezinho e nos ataques aos Yanomami (em Roraima) e aos Munduruku (no Pará), recentemente. Além, é claro, dos assassinatos cotidianos que diariamente lemos nos jornais de um país que aceita de bom grado a perda dessas vidas.

Mas voltando ao 29M, o que vimos foi uma resposta popular e diversa ao domínio das ruas pelos bolsonaristas que, negacionistas que são, estiveram durante toda a pandemia nelas, oferecendo um amplo show de horrores a todos nós.