"Bolsonaro é efeito de um 'bolsonarismo brasileiro', não a causa"

A quatro dias de um 7 de setembro repleto de promessas de golpes, vamos ultrapassando os 582 mil mortos pelo coronavírus em meio às novas descobertas da CPI da Covid que dão conta de múltiplos esquemas de corrupção na compra de vacinas e, paralelamente, atiçam tanto as manifestações opositoras ao governo como instigam declarações golpistas por parte de apoiadores do presidente, em especial os oriundos das Forças Armadas, uma vez que setores das mesmas estariam envolvidos em alguns dos principais esquemas de corrupção revelados no Senado. Enquanto isso, vemos o avanço completo sobre os direitos trabalhistas, as terras indígenas e um enorme sentimento de incerteza permeia o país. Para refletir sobre essa conturbada conjuntura, e tentar entender suas raízes, entrevistamos Douglas Rodrigues Barros, doutor em Ética e Filosofia política pela Unifesp e autor dos livros “Lugar de negro, lugar de branco?” (Hedra) e “Racismo” (Edições Brasil & Fibra).

“O cenário para os militares está se complicando com a sua participação no governo. Agora os cães fardados de várias estrelas gostam de se mostrar viris e falar grosso com jornalista. Uns bundões. Mas não são burros. Têm uma análise até perspicaz. Com a terra arrasada que virá com a saída de Bolsonaro os efeitos serão nefastos nos próximos dez anos. É muito provável que a bomba estoure de vez no próximo governo. Você acha mesmo que os militares vão querer segurar essa batata quente? Talvez, possam intervir depois, quando a desagregação social se tornar maior, ameaçar uma guerra civil, mas agora não vejo um motivo fisiológico para atuarem...”, comentou Douglas a respeito da possibilidade ventilada por analistas da imprensa de que os militares poderiam embarcar, sem mais nem menos, em uma aventura bolsonarista nesse 7 de setembro.