“A gestão dos últimos anos sabota a Petrobrás como indutora do desenvolvimento econômico e social”

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7º dia de greve: confira o quadro nacional desta sexta
A greve da Petrobrás chega ao sétimo dia e o número de adesões continua a aumentar. Iniciada por conta do plano da direção de demitir 1000 funcionários da Fábrica de Fertilizantes, a greve desencadeou uma série de insatisfações dos seus trabalhadores, que denunciam um processo crescente de assédio moral e superexploração do trabalho. Além do mais, criticam a política de privatizações e desinvestimentos baseada em falsos argumentos. O Correio publica entrevista com Tiago Franco, diretor de base no Sindicato dos Petroleiros de São Paulo.

“É uma relação de total desrespeito aos direitos adquiridos; de falta de diálogo, onde as decisões gerenciais não são negociadas, mas impostas; e de degradação da ambiência corporativa com imposição de um clima de extrema competição dentro da força de trabalho e de descuido com a saúde laboral, por conta da falta de reposição de efetivo que foi reduzido fortemente nos últimos anos”, enumerou.

Sobre a política de desinvestimentos e venda de ativos da empresa, Tiago Franco critica o bombardeio de informações tendenciosas que influenciam a opinião pública a acreditar na inviabilidade da petroleira.

“Esse argumento não se sustenta, uma vez que os valores recuperados representam poucos dias de faturamento da empresa, mas a mentira repetida mil vezes de que se trata do maior caso de corrupção da história realmente dificultou a argumentação da importância de uma grande empresa integrada de energia pública e voltada para os interesses do povo brasileiro”.

A entrevista completa pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Em primeiro lugar como descreve a greve dos petroleiros e qual seu grau de mobilização até aqui?

Tiago Franco: É uma greve por respeito à vida, ao diálogo e à negociação e contra a forma ditatorial que a empresa tem tratado a força de trabalho e sua representação sindical.

Correio da Cidadania: Qual a atual relação dos trabalhadores com a diretoria da empresa?

Tiago Franco: É uma relação de total desrespeito aos direitos adquiridos; de falta de diálogo, onde as decisões gerenciais não são negociadas, mas impostas; e de degradação da ambiência corporativa com imposição de um clima de extrema competição dentro da força de trabalho e de descuido com a saúde laboral, por conta da falta de reposição de efetivo que foi reduzido fortemente nos últimos anos.

Correio da Cidadania: O que pensa dos últimos anos de gestão da Petrobrás e sua política desinvestimentos?

Tiago Franco: Considero a gestão dos últimos anos como sabotadora do papel da Petrobrás como indutora do desenvolvimento econômico e social do país. Mesmo com a mudança de política de indutora de desenvolvimento para uma política de geração de valor ao acionista, também vale a pecha de sabotadora, pois a Petrobrás vem cometendo fraudes para justificar o desmonte de ativos com alta capacidade de retorno.

Correio da Cidadania: O que pensa do argumento da corrupção como fator que forçou a empresa a se desfazer de ativos?

Tiago Franco: Esse argumento não se sustenta, uma vez que os valores recuperados representam poucos dias de faturamento da empresa, mas a mentira repetida mil vezes de que se trata do maior caso de corrupção da história realmente dificultou a argumentação da importância de uma grande empresa integrada de energia pública e voltada para os interesses do povo brasileiro.

Correio da Cidadania: Como mostrar ao povo brasileiro a importância da greve e angariar apoio mais amplo?

Tiago Franco: Os sindicatos em greve estão fazendo diversas ações no sentido de ampliar o diálogo com a população. Tivemos atos de rua chamando atenção para a importância da nossa greve, aulas públicas em frente ao prédio onde seis sindicalistas estão acampados e alguns sindicatos têm feito distribuição de cupons de desconto para compra de combustíveis ou gás de cozinha ao preço que consideramos justo para cobrir o custo de produção com rentabilidade aceitável, pois acreditamos que só uma Petrobrás voltada para o interesse público é capaz de respeitar os direitos adquiridos pela categoria e ao mesmo tempo servir para o desenvolvimento do país, fornecendo seus produtos a preço justo.

Correio da Cidadania: Como tem sido a rotina dos trabalhadores e como ela se relaciona com o atual momento político?

Tiago Franco: Vivemos uma rotina de constante ameaça, uma vez que a direção da empresa se comporta da mesma forma miliciana do presidente: impõe algo ruim sob o argumento de que “se reclamar vai ser pior”.

Com os exemplos de outras empresas do Sistema Petrobrás que foram vendidas e os trabalhadores e trabalhadoras tiveram de optar entre a demissão e a redução drástica de salários e benefícios, a ansiedade e o receio de um futuro sombrio. Isso somado às maiores pressões por absorver tarefas com a redução do efetivo, tem trazido danos emocionais e psicológicos à categoria.

Mas não há momento melhor do que uma forte greve para mudar a correlação de forças e erguer o moral da categoria.

Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.

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