Correio da Cidadania

Cadê a árvore que estava aqui?

Você provavelmente já se revoltou ao se deparar uma árvore imponente, uma árvore importante para você, perto da sua casa, do trabalho, ou presente em seu trajeto diário, cortada (ou "suprimida") ou sujeita à poda radical, como dizem como um eufemismo para "mutilada". Provavelmente também já notou como as árvores têm se tornado mais e mais raras, especialmente se você ainda vive no mesmo bairro onde passou a infância. Possivelmente você também se pergunta por que não são plantadas mais mudas, e até gostaria de participar de um mutirão de arborização de uma praça. Mas é provável que nem saiba como nem onde fazê-lo, apesar de já ter ouvido falar de um ou outro projeto interessante.

Refiro-me acima especificamente aos prováveis leitores deste artigo, publicado em um site que tem a esquerda intelectualizada como público-alvo. Não me refiro aos brasileiros de modo geral, porque há uma infinidade de pessoas capazes de imaginar os mais variados motivos, todos eles muito justificáveis dentro da sua visão de mundo, para se matar uma árvore: ameaça os fios, a calçada, o asfalto, os encanamentos, pode cair sobre uma casa, sobre um carro, sobre uma pessoa, derruba folhas, atrai insetos, acoberta criminosos.

Tente você mesmo plantar uma árvore em algum espaço público. Logo aparecerá um agrônomo ou engenheiro florestal dizendo que a espécie escolhida por você “não é adequada". Recorrerão a uma "análise técnica" (esta é a expressão-chave) para que a sua árvore não seja plantada, e para que outras tantas sejam derrubadas. É difícil entender a cabeça dessa gente, às vezes tenho a impressão de que eles temem que as árvores ganhem movimentos próprios, como aconteceu com a floresta das Ents, na Terra Média dos Senhor dos Anéis, e intencionalmente vandalizem a infraestrutura das cidades. Mas não é necessariamente assim. Tem muita gente plantando árvores nas praças do país afora e várias delas estão crescendo, florindo, frutificando e tornando nossa vida melhor.