Correio da Cidadania

A Palestina resiste


Essas dolorosas imagens em preto e branco foram tiradas em 1948, quando quase um milhão de palestinos foram obrigados, pela força das armas, a abandonarem suas terras, suas casas, suas oliveiras. Amigos se separaram, famílias se destruíram, sonhos foram pisoteados. Esse momento de dor e desespero ficou conhecido como o Nakba – o dia da catástrofe. Quando a terra palestina foi tomada/invadida por Israel.

Esse êxodo aconteceu porque os Estados Unidos, a Europa e outros países do mundo, servis e vis, decidiram criar nas terras palestinas um Estado artificial: Israel. Diziam que lá não havia povo, mas havia. Que era uma terra esquecida, não era. Ali viviam famílias que amavam, plantavam e tinham seus filhos. Famílias que cresciam desde há muitas gerações. E que, de uma hora para outra, foram arrancadas de casa. Suas moradas foram destruídas e os sionistas os obrigaram a marchar, abandonar tudo o que lhes era caro. Muitas dessas pessoas carregaram entre os seus pertences a chave de suas casas, uma casa para a qual nunca voltariam. Uma casa roubada, uma vida saqueada.

Os que conseguiram ficar em outros espaços do território foram tendo suas vidas roubadas pouco a pouco, num Nakba que não tem fim. A cada tanto, com armas e soldados da morte, os israelenses vão avançando sobre a vida dos palestinos e a tal ponto de os confinarem em imensos campos de concentração, como é a Faixa de Gaza, por exemplo. Esses palestinos vivem cercados por muros e não podem cruzar os caminhos sem passar por vexatórias e sistemáticas revistas e humilhações. É incrível que o mundo assista a isso calado.

São mais de 70 anos de dor, morte e horror. E o que vimos na mídia comercial? “Orem por Israel”. Hipócritas! São os sepulcros caiados. Assassinos também!

Não pessoal, não há que orar por Israel porque esse é um Estado assassino, que mata crianças, velhos, homens, mulheres, que derruba casas, que corta oliveiras, que obriga ao êxodo.

Não peço que orem pelos palestinos. Eles não precisam de orações. Precisam de apoio e solidariedade. Precisam de nossa ajuda concreta. Principalmente a divulgação da verdade.

O Nakba não tem fim. Essa é a verdade nua. Fora Israel das terras palestinas. Terrorista é o sionista.

Elaine Tavares

Elaine Tavares é jornalista e colaboradora do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC

Elaine Tavares