Correio da Cidadania

O Canadá e o genocídio indígena


No dia 27 de maio, na província de Columbia Britânica, autoridades do Canadá confirmaram que foram encontrados os corpos de 215 crianças num terreno da tristemente lembrada Escola Residencial para Indígenas Kamloops. Esta foi uma escola aberta em 1890 pelo governo canadense e dirigida pela Igreja Católica, que “reeducava” crianças indígenas, visando torná-las “canadenses”. Esse processo de sequestro das crianças de suas famílias, educação forçada, perda de cultura original, tortura e morte durou quase um século, já que a escola só foi fechada em 1970. Outras delas, dirigidas também por anglicanos, metodistas e presbiterianos, ainda seguiram funcionando até 1990.

Segundo informações da Comissão da Verdade e da Reconciliação, desde a invasão do Canadá sabe-se que as igrejas realizavam uma sistemática ação de destruição da cultura, através da evangelização. Mas a partir do ano de 1840, o Estado oficialmente assume uma parceria ao criar as primeiras escolas para indígenas na cidade de Ontário. O governo então dava os recursos e as igrejas providenciavam a “educação”. Só que o que era para ser um processo de inclusão dos povos originários na vida do país acabou sendo um circo de horrores.

Em 1898 já existiam 54 escolas no país dentro do modelo de “Escolas Residenciais”, o que no Brasil se assemelharia aos internatos. E era para esse tipo de escola que eram mandadas as crianças indígenas, num atentado sem limites contra suas crenças e seus costumes. Em 1946 foi registrado o número máximo de escolas: 74. E, segundo a lei, os pais que se recusassem a mandar os filhos eram punidos criminalmente. Não havia escapatória. Os indígenas eram obrigados a enviar os filhos para o inferno.

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