Correio da Cidadania

15º Grito dos Excluídos – 2009

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Os trabalhadores brasileiros organizam seu 15º Grito dos Excluídos. É o momento certo para dizer um sonoro "Basta!" aos desmandos econômicos, políticos e éticos que são praticados no país.

 

Nascido das Semanas Sociais Brasileiras, organizadas pelos setores pastorais da CNBB, contando com a participação de inúmeros movimentos sociais, o Grito dos Excluídos vai se tornando uma realidade nacional e sul-americana. De início, restringiu-se à cidade de Aparecida, no estado de São Paulo, em conjunto com a Romaria dos Trabalhadores, e mais algumas cidades espalhadas pelo Brasil. Já no ano seguinte, o Grito se espalhou e hoje se realiza na maioria das cidades grandes e médias do país. Seus temas são sempre os que estão relacionados com a população mais marginalizada, daqueles que não conseguem ser ouvidos pelos poderosos que governam a nação. São os gritos dos sem terra, dos sem moradia, dos moradores de rua, dos menores abandonados, dos sem trabalho, dos sem serviços de saúde e educação públicas, dos discriminados por serem negros ou mulheres.

 

Enfim, têm sido os gritos dos marginalizados por essa sociedade hipócrita, exploradora, concentradora das riquezas socialmente produzidas, discriminadora, corrompida e corruptora em todos os seus "Poderes".

 

Entre os temas mais constantes dos Gritos está o despertar da consciência para a importância da organização e da ação popular como força transformadora da nação. Outro tema central tem sido a Defesa da Vida como dom maior de toda a Humanidade e não um privilégio de uma minoria sem escrúpulos.

 

Neste ano os temas vão também na direção de "A vida em primeiro lugar" e "A força da transformação está na organização popular".

 

O primeiro tema quer nos fazer compreender que os interesses do capital não podem continuar a se sobrepor ao direito à vida. Direito à vida em todas as suas dimensões: física, cultural, de saúde, de moradia decente, trabalho bem remunerado, lazer sadio, assistência social plena, enfim, de vida que traga felicidade. Neste sentido clama por trabalho para todos, por justa distribuição de rendas, por políticas públicas voltadas para atender às básicas necessidades do povo todo. Aos governantes compete pôr em prática políticas que incluam a todos e todas, e não as que só satisfazem à avidez dos gananciosos. Defender a vida, portanto, deve ser o centro permanente de nossas ações políticas.

 

O segundo chama a atenção para a importância da organização popular, porque sem organização não haverá ação coletiva e sem ação coletiva não haverá transformação da sociedade. O Grito procura mostrar que historicamente as mudanças só aconteceram quando povos despertaram para a dura realidade de exploração e dominação a que estiveram submetidos; quando descobriram que sua força estava na organização e na ação coletiva.

 

Assim também aconteceu no Brasil, quando a consciência popular despertou para a compreensão de que a ditadura militar, apesar de todo o poderio das armas, poderia ser derrotada pela pressão do conjunto do povo. A soma das mobilizações populares foi tamanha e tão perseverante que não mais seria possível continuar a reprimi-las. Foram os movimentos nascidos nas comunidades da periferia lutando contra o alto custo de vida; foram os universitários ocupando as ruas das cidades clamando pelo seu fim; foram os intelectuais condenando o regime e exigindo a volta da legalidade; foi a constante condenação das igrejas às violências e à falta de liberdade e ao próprio regime de exceção e, somando-se a tudo o mais, foram os trabalhadores da cidade e do campo com suas greves e movimentos de ocupação que precipitaram o fim do regime de exceção.

 

Portanto, todos os trabalhadores do Brasil devem se sentir os responsáveis pelo êxito e pela força do Grito dos Excluídos, porque é a classe trabalhadora – incluídas suas famílias, é claro – que vem pagando pelos crimes cometidos pelos que ocuparam os poderes, por aqueles que deveriam governar obedecendo à norma constitucional de que "Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".

 

"A vida em primeiro lugar" deve ser nosso brado retumbante e "A força da transformação está na organização popular" deve ser o leme a guiar nossos objetivos imediatos e de longo alcance. Trabalhador consciente, não importa qual seja sua profissão ou ocupação, não pode ficar de fora: participe, FORTALEÇA e faça seu o GRITO DOS EXCLUIDOS!

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

 

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Comentários   

0 #3 fora Sarnei jáAldo santos 06-09-2009 04:36
Os Excluídos gritam: Fora Sarney e o Senado já.
Nos livros didáticos a história oficial do Brasil é contada e cantada em versos e prosas pela ótica dos editores capitalistas, onde tudo “está decidido e justificado .”
O Brasil foi descoberto em 1500, a família Real foi muito importante e Dão Pedro I foi um grande herói que se insurgiu contra a corte, mais especificamente a partir do dia do fico em 9 de janeiro de 1822, que ao não atender o chamado de Portugal, disse :“ se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico.”
Com isso, reafirma o intento de ficar no Brasil, articula a resistência dos de cima, e em 7 de setembro de 1822, ao receber nova intimação para retornar a sede do governo, ele, às margens do Riacho do Ipiranga, brada em alto e bom tom: “independência ou morte”.
Estava concretizada e declarada a “independência do Brasil”, que do ponto de vista dos pobres,historicamente (Desde a invasão do País em 1500 até os dias atuais) resultou na “morte e na dependência econômica do Brasil”.
Nesse contexto histórico,o cotidiano dos explorados em nada mudou, pois os escravos continuavam escravizados, diante de uma monarquia autoritária,que concentrava poderes nas mãos do Rei e dos privilegiados .
Em contrapartida, a população sempre atenta, organizava várias lutas para mudar o regime de governo , que culminou com o fim império e a instituição da Republica do Brasil, de profundo conteúdo positivista de (Augusto Comte), que mais uma vez nada mudou na vida dos pobres do nosso país.
A dominação econômica correspondente neste período era comandada pela Inglaterra, que ditava as normas , vínculos Políticos , compromissos comerciais e econômicos , levando o Brasil a nova orientação e compromissos ao ponto da princesa Izabel assinar no apagar das luzes imperiais uma lei que ficou conhecida como a “farsa da abolição”, pois eles não tinham mais interesse em manter a força de trabalho escrava, uma vez que os escravizados “não tinham poder de consumo” dos produtos fabricados pela Inglaterra. A resultante desse processo foi o abandono dos negros a sua própria sorte , perambulando pelas estradas “sem fim”.
Com a legalização da “farsa da abolição da escravatura”,abriram o país aos imigrantes com a introdução de uma nova força de trabalho, com relativo padrão e poder de consumo dos produtos da Europa.
Sabiamente as entidades sociais proclamam no dia 7 de setembro como o dia dos excluídos , pois na prática significa a ausência e a falta efetiva da verdadeira independência dos brasileiros , pois na colonização fomos dizimados e dominados por Portugal, depois pela Inglaterra e “agora somos dominados e subordinados aos interesses do imperialismo Americano.”
Essa dominação pode ser identificada na ausência de posição do Presidente Lula diante das sete bases americanas que serão instaladas na Colômbia, uma ameaça efetiva a soberania Nacional e permanente violação e ameaça a todos os países da America latina .
A independência oficial é uma apologia dos governantes, que desfilam as suas “fraquezas em praça pública”, numa espécie de intimidação do povo pela exposição ostensiva, do arsenal bélico no Brasil inteiro. Longe de ser uma data de real independência,na prática a oficialidade desfila canhões, carros de guerra, aviões modernos , tropas e cavalarias , para assegurar a contínua independência das elites , expressão do período imperial e do período Republicano positivista.
O nosso grito é por independência econômica, inclusão social, destruição do capitalismo, construindo na prática uma verdadeira independência a partir dos índios, negros e operários.
Nesse contexto, o grito dos excluídos de 2009 além de colocar a vida em primeiro lugar, o mesmo deve questionar os capitalistas e seus representantes no poder, através da campanha do fora Sarney e o Senado, que envergonham a nação , tal é o nível de roubalheira, corrupção e dilapidação do erário público.
Na comemoração oficial da “independência” das elites representadas por José Sarney, Renan Calheiros , Jader Barbalho, Collor de Mello e Lula, certamente brindarão a unidade institucional , o poder do capital, sempre mancomunados com o poder midiático e possivelmente cantarão parte do hino nacional que diz :DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO,
AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO”, enquanto no Brasil inteiro, os sem-teto, sem-terra, desempregados e famélicos través dos movimentos organizados apontam e marcham rumo a verdadeira independência de classe , reescrevendo uma nova história , desenhando e edificando um novo país, justo e livre dos algozes de ontem e de hoje.
Ao longo de seus 15 anos, o grito dos Excluídos ecoa no mundo inteiro pela importância e participação crescente de inúmeras organizações em luta . Segundo a opinião de um dos organizadores Ari Alberti, “Antes, a gente só tinha a oficialidade. Agora se vê que tem gente se manifestando com outros gritos nessa data. Hoje a Semana da Pátria está mudada, deixou de ser a semana dos desfiles oficiais para ser a do povo na rua”, completa.

O documento de convocatória para a manifestação do dia 7 de setembro destaca vários pontos da conjuntura, focaliza o papel da vida , colocando-a em primeiro lugar e enfatiza a organização popular como um elemento determinante no processo de transformação social.Um dos pontos centrais do documento é a grave crise econômica que estamos passando, pois “Esta crise econômica, ecológica, política, social e humana implica em desemprego, achatamento dos salários, redução de direitos trabalhistas e degradação do meio ambiente. Longe de ser apenas mais uma crise passageira, esta revela o esgotamento do modelo capitalista que privilegia a busca desenfreada do lucro à custa da miséria da maioria da população. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo.”
Felizmente o contra ponto à independência oficial é oportuna e necessária na busca e na construção de uma verdadeira nação brasileira , onde a inclusão não se limite a plataformas eleitorais, as bolsas miséria e todas as políticas compensatórias cedam lugar para o emprego efetivo, numa vida compartilhada e comunista .
Que o país expresse os interesses e a vontade dos de baixo, culminando e materializando o nosso propósito revolucionário de efetiva ruptura com o neoliberalismo e seus representantes.

A Independência dos pobres é preciso!!!
Aldo Santos, Sindicalista, Coordenador da Corrente política TLS, Membro da Executiva Estadual e Presidente do Psol em SBC.(03/09/09)
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0 #2 FALANDO EM GRITOtelma fazzolari 04-09-2009 04:48
NÃO ESQUEÇAM DO GRITO
LÁ NAS MARGENS DO IPIRANGA

07/09
QUEREM MAIS HIPOCRISIA QUE ISSO?
ABRAÇOS
E OBRIGADA PELA OPORTUNIDADE DE
ESCREVER.
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0 #1 Olavo 03-09-2009 19:11
Parabens Waldemar, tua clareza é bela (ou será que tua beleza é clara), e choca. Por isso o siléncio! Mas vai consolidando a posibilidade de novos caminhos.
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