Correio da Cidadania

altO espectro da gigantesca irrupção contestatória, com a consistência ameaçadora dos fantasmas, pode retornar a qualquer momento. Na condição de enigma não decifrado, haverá de rondar os acontecimentos do novo ano como um espantoso sinal de alerta.

 

altFalência histórica de um ciclo da política, um modelo. Mas também o tempo da inexistência de nexos que articulem projeto alternativo. São ocasiões, segundo Gramsci, propícias ao aparecimento de “sintomas mórbidos, fenômenos estranhos, criaturas monstruosas”.

altEntre os males contra o Rio, o maior de todos é a pequena política. Os mercadores do interesse puro tomaram conta do templo majestoso. Aos 448 anos de existência, o Rio navega entre a beleza e o caos.

 

altO encontro, que explodiu como desencontro um mês depois, existiu e foi pedido por Lula. Essa, por enquanto, é a única certeza.

altAs manifestações devem ser criminalizadas para garantir o perfeito funcionamento da máquina mercante e a alma dos negócios associados com a copa do mundo. É o que está dito no argumento velado do editorial em pauta.

altA máquina militar de poder inigualável opera as agências de inteligência como força paramilitar em manobras típicas do pior tipo de terrorismo, aquele a partir do qual todo o ciclo do terror se retroalimenta: o terrorismo de Estado.

altComo o existencialismo nos tempos da “chiquita bacana”, a moda agora é outra: o “pós-tudo” e o “neo-nada”. É a panela comum na qual se dissolvem duas figuras tão díspares e vindas de mundos contrapostos, Marina e Kassab, que usaram as mesmas palavras para definir o perfil de seus projetos partidários.

 

altOutro filho de Deus, farmacêutico aposentado de 77 anos, em plena semana santa do ano em curso, também buscou a morte como sinal de alerta. Foi na Grécia, berço e, ao que tudo indica, túmulo de um ocidente corroído até a medula pelo poder do dinheiro.

altComo Pilatos no credo, o Supremo julgou como alheia a sentença que também é sua. Nem tanto pela sorte dos réus, já condenados no tribunal da consciência crítica da cidadania, mas pela dilatação de um padrão de política e uma tradição procedimental.

altOs “vendedores do Brasil” estão na moda. Os chefes dos executivos já operam de acordo com a máxima “governar é intermediar negócios”. Ao legislativo compete afastar os obstáculos da máquina mercante.

altFicou claro que o processo de degradação do sistema político ultrapassou o perigoso umbral do sem retorno. Vai se ampliar o divórcio entre o sentimento cidadão e a lógica que anima os partidos da ordem no parlamento.

 

altPelo andar da carruagem, os jornais já noticiam que o filho de biliardário “pode nem ser indiciado no inquérito e o ciclista pode ser apontado como causador da própria morte”.  O Eike Batista falou: a culpa é da vítima.