Reflexões sobre o pior dos vírus e a vergonha que sinto

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Reflitamos que o COVID-19 não é o pior dos vírus. Quem em sã consciência segue um demente com poder despótico, irracional, ignorante, arrogante, mentiroso, mau caráter, sádico? Seriam os frustrados? Os não enquadrados na sociedade vigente? Os conturbados, mentalmente desequilibrados? Os profissionalmente frustrados? Os analfabetos funcionais? Os que jamais entenderam a história do Brasil? Os que não leem? Os que têm patologia psiquiátrica? Os que não entendem o que é democracia? Os que não têm respeito pelo próximo? Os fanáticos por um mito destruidor das qualidades humanas?

Quem são essas pessoas que empunham cartazes com dizeres que são verdadeiras aberrações? Seriam pais, mães, filhos, netos, avós, irmãos? O que eles querem para o Brasil, na verdade? Por que usam camisas verde/amarelas para simbolizar um anátema? E esse ódio que vemos em seus olhares? Por quê?

Desclassificar o STF, como se fosse uma instituição que só tem bandidos? E o Congresso, um dos três pilares da democracia, pensar em fechá-lo no lugar de aprender a escolher melhor? Cidadania é o que lhes falta. Até sua liberdade de votar em outro Bolsonaro no futuro eles colocam em risco.

Seriam eles os algozes que pretendem nos queimar em praça pública só porque respeitamos a história, as leis, a ciência, temos a consciência de que ainda é preciso aperfeiçoar nossos sistemas eletivos, carrear nossas forças para fiscalizar aqueles que tomam as decisões por nós e não destruir as instituições democráticas só porque neste momento elas não representam o ideal?

Em nenhum outro país essas instituições representam aquilo que se sonha. Os líderes são omissos, são falhos, mentem e serão substituídos no futuro.

Aprimoramento vem com os erros. Mas o brasileiro que apoia Bolsonaro, depois de todas as iniquidades de que foi capaz, não percebeu que o caminho que está trilhando é justamente aquele que as nações democráticas expurgaram com derramamento de sangue para evitar monstros no poder. O que aconteceu com o brasileiro que não foi estudar o AI-5 para entender o que ele realmente significou para as liberdades civis do país?

É de arrepiar que alguém carregue um cartaz com os dizeres "Feminicídio sim, FOMEcídio não". Confesso que fiquei catatônica, pois esse é o retrato dos seguidores de Bolsonaro. Dentre todos os cartazes que fiz questão de ler na mídia, esse foi o que mais me chocou. Um líder que leva seu povo a escrever isso só pode ser a representação do mal em seu apogeu.

Telma Monteiro

Ativista sócio-ambiental, pesquisadora e educadora

Telma Monteiro