Correio da Cidadania

Novamente o desmatamento da Amazônia

 

O Correio já tratou deste assunto várias vezes. Mas convém voltar ao assunto, já pela importância dele, já pelas últimas informações a respeito do problema.

 

O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) acaba de publicar o resultado das pesquisas feitas nos onze meses anteriores e eles são estarrecedores: de julho do ano passado a junho deste ano, o desmatamento aumentou 35%. Foram 2249,5 km² de mata derrubada pela ferocidade das motosserras.

           

Somando-se ao enorme prejuízo que está causando ao nosso país, esse desmatamento representa a quebra de compromissos contraídos pelo nosso governo em foros internacionais. O mais incrível é o Estado representar 38% do total desmatado.

 

Com esse procedimento irresponsável, o governo está brincando com fogo. Não é segredo para ninguém que essa enorme região tem sido objeto da cobiça internacional desde o período colonial. Estamos dando o pretexto que essas nações precisam para efetivar o projeto de Internacionalização da Amazônia.

 

Não se consegue entender como é que a população amazonense se opõe às medidas de contenção desse desmatamento irresponsável, pois a grande riqueza da região não é a venda de madeira, mas a exploração da sua extraordinária biodiversidade.

 

Precisamos exigir do governo a realização imediata de um plano de criação de centros de pesquisa em várias cidades da região, a fim de identificar as espécies aptas à produção de medicamentos e vários outros produtos.

 

Enquanto ficamos dormindo sobre essa enorme riqueza, os estrangeiros estão explorando clandestinamente a região e patenteando as espécies que lhes interessam.

 

A Universidade de Georgetown, em Washington, propôs a uma equipe de biólogos da USP a realização de uma pesquisa milionária sobre as espécies medicinais da Amazônia.

 

Dever-se-ia identificar espécies, descobrir o princípio ativo das mesmas e descrever minuciosamente os procedimentos usados na preparação artesanal dos remédios que utilizariam tais espécies. Essa descrição representa no mínimo trinta por cento de economia no custo total da fabricação industrial dos remédios.

 

Caminhava tudo muito bem, quando os pesquisadores exigiram uma pequena porcentagem do lucro obtido com o remédio fabricado pelas indústrias farmacêuticas a partir das informações fornecidas pelos habitantes locais. Aí, tudo parou. A proposta foi descartada, porque a Universidade preferiu contratar equipes que dispensam tal exigência.

 

Não é possível assistir passivamente a tamanha irresponsabilidade das nossas autoridades.