Correio da Cidadania

A greve dos carteiros

 

O mínimo que se pode dizer da decisão do Superior Tribunal do Trabalho acerca da greve dos carteiros é que se trata de uma decisão incoerente: se o Tribunal considerou legal a paralisação, qual a justificativa do desconto de parte dos dias parados? Terá a greve sido legal em alguns dias e ilegal em outros?

 

A incoerência mostra de que modo a burguesia dominante trata os interesses dos trabalhadores. Felizmente, contudo, mesmo com o desconto desses dias, os carteiros saíram ganhando. Ou seja: estão hoje numa situação melhor do que antes do movimento.

 

Esta afirmação deve ser tomada em dois sentidos: como resultado do movimento grevista, os carteiros passarão a ganhar mais; além disso, tornaram-se mais unidos, mais aguerridos, mais preparados para defender seus direitos.

 

Quem expressou muito bem a segunda vantagem foram os próprios carteiros: segundo um depoimento a que teve acesso esta redação, “tivemos um pequeno ganho financeiro, porém, o mais importante foi o ganho moral”.

 

Com efeito, este é sempre o maior ganho de todas as greves. O ganho moral significa duas coisas: por um lado, o reconhecimento de terceiros da legitimidade do movimento; por outro lado, mostra a consciência dos grevistas de que lutaram por uma causa justa.

 

Essa consciência gera auto-estima, auto-estima que fundamenta o sentimento de identidade, e este a coesão e a capacidade de luta do grupo.

 

Tal capacidade de luta só aumentará na hora em que a classe trabalhadora tomar consciência de que não conseguirá melhorar sua condição de vida, ou seja, não conseguirá reduzir a exploração de que é vítima sem confronto, sem risco, sem coragem. Precisa saber também que o grande instrumento dessa luta é a greve.

 

Os partidos de esquerda têm o dever político de apoiar as greves legítimas, o que nem sempre vêm fazendo. Esse desinteresse constitui grave erro político, pois, evidentemente, isolados os trabalhadores não conseguem tornar as greves vitoriosas. E sem debilitar o poder burguês pela via da greve o socialismo não será instalado no país.

 

As palavras do carteiro mostram que um brasileiro simples e despretensioso foi capaz de ver o que as lideranças da esquerda nem sempre conseguem ver.

Comentários   

0 #1 Greve na ItaliaCristina 25-10-2011 16:20
Sao 20 anos que moro na Italia. Devo dizer que nunca vi uma greve durar mais de 24 horas, mesmo porque cada dia è descontado do salario do trabalhador. Da parte minha, acho correto. E' muito côomodo fazer greve por 10, 20 , 30 dias e receber igualmente o salario no fim do mes. A greve deve ter um objetivo e nao ser luxo, como è no Brasil...
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