Correio da Cidadania

O preço da liberdade é a eterna vigilância

 

 

 

Por iniciativa da deputada Luiza Erundina, a Câmara dos Deputados prestou uma homenagem aos parlamentares cassados durante o regime militar – cerimônia amplamente noticiada nos jornais de grande circulação.

 

No total, foram 173 deputados cassados ao longo do período, dos quais 29 ainda estão vivos. Destes, 18 compareceram à homenagem, pessoalmente ou por meio de esposas, filhos ou netos, que os representavam.

 

Os cassados pertenciam tanto ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que agrupava deputados contrários ao regime, como à Arena (Ação Revolucionária Nacional), partido que dava apoio ao regime. Uma demonstração de que os militares preocupavam-se mais com a conduta individual de cada deputado do que com o partido ao qual o mesmo pertencia.

 

A cerimônia, bastante concorrida, consistiu na reintegração simbólica do mandato desses parlamentares.

 

Cada um deles foi chamado para receber um diploma e o distintivo que os deputados têm o direito de usar.

 

Eles foram saudados pela deputada Erundina e pelos representantes de todos os partidos com representação na Casa.

 

Pelos homenageados, falou a ex-deputada Lygia Doutel de Andrade, cassada em 1968.

 

Essa deputada era casada com o deputado Doutel de Andrade, já falecido, o qual foi cassado na primeira lista de cassações, em 1964.

 

Um CD com informações sobre os cassados e um livro com a fotografia e uma pequena biografia de cada um deles lhes foram entregues no ato.

 

A importância do evento consiste em assinalar que a democracia não é imune aos golpes de força. Por isso mesmo, é preciso que, quem quer viver na democracia, esteja sempre vigilante e preparado para defendê-la.

 

Há mesmo um slogan que diz “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

 

As pessoas que têm hoje menos de 30 anos nasceram e viveram em regime democrático. Como é natural, tendem a pensar que este regime é permanente no país – que sempre foi e sempre será assim. Esse é o perigo, pois, quem assim pensa, não imagina que a democracia possa ser abolida pela violência de civis ou de militares.

 

Ao homenagear os cassados, a Câmara mostrou-lhes a necessidade de estarem atentos. A deputada Luiza Erundina está de parabéns pela iniciativa.

Comentários   

0 #1 RE: O preço da liberdade é a eterna vigilânciaLuiz Rodolfo V. de C 12-12-2012 14:11
Muito importante esta homenagem, somente acho que devia ser estentendida aos parlamentares que foram cassados em pleno período "democrático" - governo eleito do presidente Dutra = toda a bancada do Partido Comunista Brasileiro.
Citar