Correio da Cidadania

Mortes anunciadas

 

Há dez anos, o Incra assentou, nas terras de uma usina de açúcar, duzentas e cinquenta famílias (mil pessoas) de trabalhadores rurais

 

Elas estabeleceram-se no local e ali construíram suas casas com dinheiro de um empréstimo fornecido pelo Incra.

 

Trabalham, produzem, comercializam sua produção e dela vivem com dignidade. O assentamento (chamado Milton Santos) tem uma escola primária, na qual estudam os filhos dos assentados. Tudo certo.

 

Pois bem, os “proprietários” da usina entraram em juízo com um pedido de reintegração de posse e, pasme-se, o juiz a concedeu e determinou o despejo dos assentados. Dez anos depois de que os mesmos foram assentados!

 

Não dá para crer. Mas é a verdade. Um poder judiciário classista não está preocupado com a justiça, mas apenas em satisfazer os interesses dos proprietários.

 

Os assentados estão, como é natural, revoltados e determinados a resistir ao despejo. Ou seja, estamos diante da possibilidade de um confronto armado. Em outras palavras, diante de mortes anunciadas.

 

É indispensável que a sociedade civil se mobilize para evitar essa injustiça inominável. Ninguém tem o direito de esquivar-se dessa obrigação, sob pena de ser cúmplice do que vier a acontecer.

 

Cada um de nós tem o dever moral de cobrar das autoridades uma providência que evite a mortandade.

 

Precisamos inundar o Tribunal de Justiça de São Paulo com telegramas de protesto, para ver se os desembargadores tomam alguma providência para evitar o massacre. Precisamos cobrar dos parlamentares nos quais votamos uma intervenção junto ao Executivo.

 

As pessoas que entendem do assunto e que vêm acompanhando, há muitos anos, a questão agrária, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, têm cansado de advertir que, se não se fizer a reforma agrária, terminaremos por ter, no Brasil, uma situação semelhante à da Colômbia.  Onde, por falta de uma reforma agrária, já morreram mais de trinta mil pessoas, entre guerrilheiros e militares.

Comentários   

0 #2 Mortes anunciadasMarcos Tavares 17-01-2013 16:12
Nota-se que em se tratando de governo de esquerda, se podemos afirma tal posição, mas nota-se como tal governo faz vista grossa para esta estapafúrdia posição deste judiciário, que encanta determinaddos segmentos, como fosse um exemplo a ser seguido.
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0 #1 MAIS UMA VEZ, INACREDITÁVEL?Gilberto 17-01-2013 12:54
Há pouco postamos comentário sobre Legislação,Legisladores,Direit o,Judiciário. No momento estamos lendo o CALENDÁRIO HISTÓRICO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS e esta nota nos horripila com a visão das atrocidades cometidas em nome do Direito, da Justiça. Os predadores estão ficando cada vez mais sem a "LUZ" e mais fratricidas?
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