Correio da Cidadania

Francisco

 

Dificilmente alguém consegue, em menos de dois minutos de fala, empolgar tantas pessoas. Mas Francisco não teve dificuldade nenhuma em conseguir esse feito na Praça São Pedro.

 

A eleição de um Papa não italiano foi uma surpresa. Surpresa maior ainda foi quando surgiu na sacada do Vaticano um sólido veterano de setenta e seis anos, vestindo-se sem os trajes principescos tradicionais dos papas, e começou a falar com simplicidade, provocando risos da multidão que se aglomerava para saudá-lo.

 

No dia seguinte e nos que se seguiram, a surpresa foi cada vez mais se confirmando.

 

O novo papa parece-se com um desses vigários que, após a benção final da missa, vão para a porta da Igreja conversar com os fiéis.

 

As aparências indicam que estamos diante de uma pessoa simples e cordial. Mas que ninguém se engane. Em poucos dias, ficou claro que essa pessoa assim simples e cordial é também um chefe enérgico e dotado de vontade própria.

 

A escolha do nome já é uma clara demonstração disso. Fugindo à tradição, o novo papa escolheu, pela primeira vez na história, o nome de Francisco.

 

São Francisco de Assiz, e Bergoglio explicitou que escolheu esse nome em homenagem ao “poverelo” da Umbria de Assiz, foi o grande reformador da Igreja do seu tempo. Pode haver, desse modo, todo um programa de reforma da Igreja do século XXI embutido nessa escolha.

 

Nada mais oportuno e necessário. A Igreja está mesmo precisando rever posições que não respondem mais (se é que alguma vez responderam) aos anseios da humanidade.

 

Questões como a do aborto, do celibato clerical, da ordenação de mulheres, do casamento de homossexuais são atuais, que reclamam uma definição mais clara da Igreja.

 

Consta que o novo papa, quando bispo de Buenos Aires, tinha posições conservadores. A expressão utilizada por boa parte de comentaristas, nacionais e estrangeiros, que fizeram essa observação é a de que se trata de um “conservador não extremado”.

 

O que isto quer dizer, ainda não se sabe bem, e de pouco vale para tanto a lembrança das posições que assumiu como bispo. Todos sabem que as posições dos bispos em relação a certas questões são mais a expressão de posições da Cúria Romana do que de pensamentos próprios. Como papa, podem ser outras as posturas de Francisco.

 

Aguardemos, portanto, na expectativa de que os sinais de alguma esperança dos primeiros dias possam se confirmar.

Comentários   

0 #3 RE: FranciscoJúlio Lázaro Torma 08-04-2013 13:04
É ainda dificil avaliar o Pontificado de Francisco, faz pouco dias, assim como havia casos de gente que avaliava o pontificado algumas horas antes de seu inicio, da pose oficial.Devemos ter caute-la e muita " esperança", agora é ele na fita e não é subordinado a curia,primeiro paso que ele tem que fazer a reforma urgente da curia romana, mandar alguns cardeais para seus paísesde origem.A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE E AS PESSOAS MUDAM PARA O BEM OU PARA O MAL.
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0 #2 RE: FranciscoRodolfo 28-03-2013 21:24
Será? Vi a entrevista do Leonardo Boff, no Roda Viva, e ele mesmo se mostra um tanto otimista com o novo papa.

Ora, se ele considera o novo Papa com certa esperança...
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0 #1 RE: FranciscoJosé Safrany 28-03-2013 14:44
Como esperar algo de alguém que sempre se comportou como um fascista? Ainda mais agora que está entre iguais que também têm a tendência quando não assume totalmente esse "caráter"???
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