Correio da Cidadania

Dilma, o povo não está para brincadeiras

 

 

O governo Dilma parece ter muita dificuldade para entender a gravidade da crise social instalada, abusa da paciência do povo e duvida da inteligência da juventude. As cinco providências anunciadas com pompa e circunstância revelam o total despreparo da ordem estabelecida para responder às demandas postas pelas gigantescas manifestações que clamam por igualdade substantiva e seriedade no uso dos recursos públicos.

 

As propostas para resolver os problemas da saúde, transporte e educação ignoram o problema central que emperra o gasto em serviços sociais: a pesada carga que representam as despesas com juros e amortização da dívida pública das três esferas de governo. Para enfrentar a reivindicação das ruas, já seria um primeiro passo anunciar a renegociação da dívida da União com os estados e municípios e revogar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Enquanto o gasto social funcionar como variável de ajuste das contas públicas, não haverá recursos para educação, saúde e transporte. No entanto, ao reafirmar o compromisso com a geração de mega superávits primários, o governo insiste em priorizar os banqueiros e a plutocracia. A presidente parece ter ouvidos moucos, o povo pede exatamente o contrário.

 

Tomada às pressas, sem sequer consultar o seu próprio partido, a providência tomada para enfrentar a crise política – a proposta de um plebiscito para votar uma constituinte para formular uma reforma política – é uma gambiarra, tirada da manga do colete de algum marqueteiro de ocasião, sem nenhuma consequência prática. A reforma constitucional improvisada é legalmente inconstitucional e politicamente inviável - uma irresponsabilidade formal que acelera a metástase da crise de poder que paralisa o Estado brasileiro. Descolada de mudanças substantivas no pacto de poder – o que foi olimpicamente negado pela reunião que antecedeu o anúncio das medidas – qualquer reforma política é pura perfumaria.

 

Os problemas do povo não serão resolvidos com factóides, protelações, evasivas, promessas vãs, espertezas e transferência de responsabilidades. O povo exige soluções concretas. Para tanto, o importante é quebrar a rotina e sair do círculo vicioso que deixa os problemas da população sempre em último lugar. No pronunciamento da presidente Dilma, de concreto e palpável, apenas a reafirmação dos compromissos de manutenção da austeridade fiscal. Posto contra a parede pela população, o governo do PT esmerou-se em tranqüilizar o grande capital e o grande irmão do norte de que aqui nas terras do Brasil tudo continuará como dantes.