Correio da Cidadania

Vitórias do povo em junho

 

 

As enormes marchas de protesto contra a ineficácia dos governos e a propensão deles a explorar o povo em benefício das classes dominantes marcaram o mês de junho. Foi vitória atrás de vitória.

 

O povo aprendeu que quem não chora não mama e resolveu não mais aceitar passivamente a exploração a que está sendo submetido há tantos anos.

 

É por isso que os protestos estão pipocando.

 

Alegra muito constatar que a população venceu diversas batalhas neste mês de junho, mas sua liderança precisa ter presente que a guerra ainda não foi ganha.

 

A burguesia ainda tem muita força e pode reverter o processo.

 

Um perigo a ser evitado é o estelionato. A direita é especialista em estelionatos. Por exemplo: a declaração solene de que os recursos do pré-sal serão inteiramente dedicados à educação.

 

Ora, a exploração do pré-sal está quase toda privatizada, como artigo do professor Otaviano Helene neste Correio demonstra, entre outras reportagens da mídia menos festejada.

 

Os recursos que o Estado obterá da exploração do ouro negro correspondem a apenas 0,15% do PIB, quando o que se requer para tornar o sistema educacional eficaz é um investimento correspondente a 10% do PIB.

 

Daí a necessidade de rebater imediatamente toda e qualquer forma de estelionato.

 

Outro perigo é a falta de uma orientação geral que possibilite uma adequada hierarquização das exigências. Tal falta pode fazer com que as exigências se dispersem e percam força.

 

As lideranças das organizações que lideram as mobilizações precisam abrir imediatamente o debate sobre a temática mais geral dos protestos, a fim de não perder o rumo e a força em uma variedade muito grande de exigências que atendem a interesses legítimos, porém, de grupos menores e isolados.

Comentários   

0 #1 RE: Vitórias do povo em junhoveronica miranda 06-07-2013 06:55
Sempre me inscrevi e defendi os movimentos sociais, mas às vezes temos que admitir que não só os partidos políticos e governos se fecham para a cidadania, mas os próprios movimentos sociais também. Alguns assuntos parecem tabu e nessa hora é que a gente percebe como a democracia em nosso país é frágil, pois os movimentos sociais e partidos de esquerda são também muito autoritários. Daí se entender que quando ocorre uma explosão de cidadania em atos mais horizontais, nem partidos, nem movimentos sociais verticalizados estivessem organizando. Comentei sobre dois artigos a necessidade de um canal de tv dos movimentos sociais, e de se levantar essa bandeira, justamente porque estamos diante de um fenômeno de participação de massa e nesse momento se percebe a dificuldade de competir com setores de direita que dominam a mídia. É uma forma de equilíbrio mínimo das forças sociais. Acho isso um tanto óbvio, mas já percebi que os movimentos sociais e partidos organizados de esquerda têm medo. De que, de perder a liderança ou a maldita vanguarda? Pois lhes digo, não adianta ter medo de ventilar esses assuntos pois a população não vai mais tolerar esses dirigismos e se não for captado o que as massas querem realmente pela esquerda, os setores de direita vão tomar conta do pedaço, pois eles têm a mídia . É melhor se começar a pensar rápido. Já estamos atrasados. Se não quiserem publicar o comentário que escrevi, leiam pelo menos, por favor!Vou repetir o que escrevi antes.
"Uma das pautas importantíssimas neste momento para avançar é a luta conjunta dos movimentos sociais por uma tv dos movimentos sociais. Este é um instrumento e linguagem para a população que não pode ser negada e fundamental para neutralizar a restauração. Sabemos que a direita ruralista e não ruralista já têm seus canais particulares e ou dito públicos com um grande alcance na população. É hora de lutar por uma tv dos movimentos sociais, que possa compor um canal de comunicação com a maioria da população, já que os três poderes constituídos têm a sua comunicação, mas a sociedade civil não. Se queremos democratizar as comunicações é bom ter uma pauta concreta para começar. E nesta pauta poder ter um canal de tv dos movimentos sociais. Isto é fundamental para avançarmos no país e na democracia. Que seja um instrumento horizontal, para que todos os movimentos sociais possam se expressar."
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