Correio da Cidadania

Plínio Vive - o legado de um militante

 

 

As inumeráveis, justas e sinceras homenagens a Plínio de Arruda Sampaio após o seu falecimento dimensionaram a estatura do velho e querido combatente e reforçam a certeza de que foi e segue sendo reserva moral da esquerda e da sociedade brasileira.

 

Neste espaço, queremos recuperar o legado de Plínio cidadão, intelectual, cristão e socialista, pois se trata muito mais do que memória ou história, o que já não é pouco, mas sobretudo do presente e futuro.

 

Em sua militância, Plínio perseguiu a coerência, uma autêntica fusão entre teoria e prática, pensamento e ação.

 

Foi assim a sua conduta no PT até sua ruptura em 2005; foi assim a sua iniciativa de formar núcleos de reflexão e ação socialista na sua militância junto à esquerda católica; foi assim sua defesa intransigente da estruturação dos núcleos de base no PSOL, partido que abraçou na última década sua de vida.

 

Foi assim na sua militância prática onde, como cristão, reivindicava a síntese com o marxismo.

 

Foi assim como fundador do Correio da Cidadania, buscando a  convivência entre a pluralidade de opiniões e a renovação permanente do pensamento socialista.

 

A ideia da pluralidade associada a uma visão crítica e não dogmática da reorganização de uma esquerda socialista, militante, desapegada de privilégios, norteou suas reflexões nos últimos anos – talvez seja este o principal legado que nos deixa.

 

Em sua inquietação e reflexão militante, Plínio colocou no horizonte a difícil e imprescindível luta pela reconstrução de esquerda popular e de massas no país. A luta pela inserção social da esquerda, pela busca de base popular, do diálogo que reinsira as ideias socialistas na consciência dos trabalhadores.

 

Como não citar a sua permanente defesa de unidade estratégica da esquerda combativa, que não se rendeu à domesticação ao grande capital, ao igual que o PT no governo. Sem preconceitos e sectarismos, Plínio propôs a criação de uma federação unitária dos partidos e movimentos sociais combativos, uma frente única de esquerda que fosse além dos partidos. Ideia à frente de seu tempo, que permanece como utopia a ser materializada.

 

Como esquecer sua obsessão pelo diálogo com a juventude, sua percepção da impossibilidade de renovação do pensamento socialista sem contar com as novas gerações? Não foi por acaso que Plínio conquistou dezenas de milhares de seguidores no twitter quando da campanha presidencial de 2010, ou escreveu livros como Por que participar da política. Ele estava sintonizado com as dúvidas e desilusões dos jovens com a política e antenado com as novas ferramentas de comunicação de que se serviam.

 

Todas suas reflexões tiveram um sentido prático: a luta pela ruptura com o capitalismo, a busca do socialismo - “objetivo estratégico global”, expressão que gostava de usar.

 

A maior homenagem que prestaremos à memória de Plínio de Arruda Sampaio é seguirmos em busca de seus objetivos, na luta pela transformação social e por um Brasil justo, igualitário, soberano, socialista.

 

O Plínio militante, político, cidadão, intelectual, cristão e socialista sempre estará presente na vida daqueles que continuarem a perseguir estes objetivos.