O papel da esquerda nas eleições municipais

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Renata Souza será a pré-candidata do PSOL à Prefeitura do Rio ...
As eleições municipais do Rio e de São Paulo podem assumir importância significativa para a recuperação de espaços perdidos pela esquerda combativa na onda terraplanista que assolou boa parte da população brasileira nas últimas presidenciais.

Podem ter importância se seus principais candidatos souberem escapar da armadilha que lhes é imposta pelos temas propostos em debates televisivos. Temas em que os mediadores se veem limitados a impor discussão sobre iniciativas puramente gestionárias. Das formas mais despolitizadas preferencialmente e utilizando o tempo anterior de campanha oficialmente permitida.

"Qual sua proposta para saúde?" ou para a educação, ou para o transporte públicos? Nada aportam de sincero e honesto, porque qualquer quadro ideal pode ser prometido sem que o eleitor iludido tenha capacidade de cobrar a falsidade publicitária posteriormente. São apenas escadas para que oportunistas e arrivistas prometam o céu para depois entregarem o inferno.

Rio e São Paulo têm de ser vistos pelos candidatos da esquerda combativa - principalmente Renata Souza, do PSOL, no Rio, e Guilherme Boulos ou Samia Bonfim, do PSOL paulistano - como espaços decisivos de formulação política para o país como um todo. Como tambores de repercussão nacional.

Eles têm de transformar o pleito local em plataforma de denúncia do pacote de contrarreformas crescentemente radicalizado pelo atual governo e suas consequências trágicas para a população em qualquer ponto que se encontrem do país.

Denunciar, enfim, a falácia dos candidatos dos campos conservador e da moderada centro-esquerda eleitoreira quanto à impossibilidade de cumprirem o que prometem se, simultaneamente, não apontarem as peias federais, do modelo macroeconômico imposto pelo governo miliciano ora hospedado no Planalto. Porque só assim darão credibilidade ao que prometerem no plano do município.

Denunciar, principalmente, o papel de linha auxiliar que prestam a essa direita reacionária hegemônica no plano federal, essa dita ex-querda moderada, mais interessada em manter tranquilos os maganos do grande capital do que em enfrentá-los.

Esse tem de ser o papel da esquerda combativa no cenário atual. Sem contemplação. Radicalizando sem que isso signifique sectarismo, mas sim diferença concreta de proposta política voltada não, simplesmente, para uma leitura eleitoralista da luta política, mas para a recuperação do Rio, São Paulo e Brasil. Pela retomada do caminho de uma possível transformação qualitativa do quadro social perverso com que convivemos rumo a uma sociedade mais democrática e justa socialmente.

LUTA QUE SEGUE!

Milton Temer é jornalista e ex-deputado federal.

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