altQueremos alguém que vá lá e resolva – “Juiz Moro, esse vai resolver!”, “Dilma é a única honesta!”, “Lula é o nosso líder!” são as palavras de ordem do momento. Todas exprimem uma única e mesma crença, de uma maneira ou de outra, com mais ou menos consciência.

 

altAo invés de apresentar algo como o protagonismo de ações coletivas e populares contra o racismo e a escravidão, Django Livre reafirma o mito do herói individual (assim como o último filme de Spielberg, Lincoln), numa clássica operação que já foi descrita como “política do silenciamento”.

 

altO som ao redor propõe uma representação das classes sociais brasileiras que foge à dicotomia, tão batida no cinema nacional, entre os poderosos e o “povão”. Em vez da dicotomia, temos uma tríade.

altO universo de Kafka está bem representado por Welles. A parábola do começo não traz um ensinamento moral edificante; ao contrário, como já indicara Walter Benjamin, as parábolas de Kafka não nos reconfortam, mas nos aturdem – em vez de ensinamentos morais, temos uma narrativa que transmite a sensação de esvaziamento de toda moral.

altEm vez de clamar pelo respeito a valores republicanos, em vez de clamar por apoio a um aprofundamento dos direitos sociais e coletivos, Lula repete os mesmos termos do discurso que pretende combater.

 

 

altPoucos historiadores transformaram o conhecimento histórico em uma arma tão poderosa quanto o estadunidense, de ascendência judaica, Howard Zinn. Sua obra inspirou ao menos duas realizações audiovisuais dignas de nota.

altOs filmes de Tarantino aproximam-se da história como antes já o tinham feito os de Zemeckis e Stallone, como se a história fosse um grande baú de ossos de heróis, de grandes realizações objetificadas em grandes atos de grandes homens .

 

altEm 2012, que ora já está perto de findar, muitos fascismos irromperam aqui e acolá no planeta Terra. Muitas outras atitudes antifascistas também floresceram. Parece que algumas das questões importantes para Pasolini e Foucault, na década de 1970, ainda não envelheceram.

altÉ inevitável a sensação de final feliz: agora, cada qual em seu lugar natural, sem interferir na vida alheia, seguindo seus destinos. Que satisfação a de Val, poder seguir seu destino! Seja como for, agora Val tem o seu lugar. Não estamos aqui diante de uma síntese falsamente reconciliadora?

altA má-fé sartriana com a qual o filme “Hoje eu quero voltar sozinho” representa a situação existencial das personagens faz não sobrar nada dessa ternura às mulheres.

altMuito pouco o filme explora o quanto o próprio Lincoln parecia acreditar em si mesmo como um mito e o quanto ele mesmo trabalhou para ser visto como um mito.

altA relação sempre foi tensa. Os filósofos nem sempre se deixaram levar pelo cinema, ou ao cinema, pacificamente. Talvez pela natureza bastante antirracional e imóvel que a plateia assume na sala de cinema.