Correio da Cidadania

É preocupante a rápida multiplicação de "bolsões" de estados policiais terroristas incrustrados em partes do nosso território: nas grandes cidades; nas regiões de fronteira; e até na crescente desenvoltura com que os policiais militares estaduais abusam da sua autoridade na repressão a movimentos populares ou no combate a bandos criminosos.

Se a consciência do que pode acontecer com a atual crise não for motivo suficiente para que as esquerdas mudem rotinas antigas, revisem estratégias e abram uma temporada de profundas reflexões, parece razoável supor que não terão qualquer protagonismo político nos dias que virão.

Nossa "tira" noticiosa - a linha preta na parte superior da Página Inicial - está sendo atualizada diariamente e inclui notícias enviadas ou noticiadas nos veículos das organizações populares. Podemos ampliar esse serviço, criando uma página específica para publicar todas as notícias que nos cheguem de qualquer ponto do país.

No caso brasileiro, se a guerra de libertação dos trabalhadores rurais da opressão que sofrem em nosso país exigir um entendimento temporário com algum setor do agronegócio, é indispensável ponderar bem a reação de toda a população do campo, a fim de que o resultado imediato da manobra não venha a dificultar a construção da unidade sem a qual será impossível atingir o objetivo estratégico da luta do povo.

A crise de 1929, cuja origem Bobbit situa nos problemas que provocaram a Primeira Grande Guerra, só foi resolvida após a Segunda Grande Guerra, no acordo de Bretton Woods. É um processo dessa magnitude que estamos enfrentando agora. A consciência de tal realidade nos ajuda a colocar numa perspectiva correta a vitória de Obama em 4 de novembro, sem frustrar a alegria que este sopro de esperança despertou em todo o mundo.

Se o tamanho da crise dependesse de torcida, a esquerda deveria torcer para que não estourasse tão cedo, pois, se isto acontecer, ela se encontrará novamente despreparada para oferecer um projeto alternativo concreto às massas populares. Foi isto o que aconteceu nas duas únicas vezes em que, após a revolução de 1930, o sistema de dominação foi abalado pela rebeldia popular.

Em protesto contra a privatização da CESP, engenheiros e juristas de renome nacional enviaram carta ao Conselho Nacional de Política Energética recomendando que, na renovação da concessão para exploração de energia elétrica, se inclua uma cláusula proibindo sua privatização. Sem forte apoio da opinião pública, a recomendação certamente será desconsiderada, porque são muito grandes os interesses privados que estão em jogo.

Os movimentos do campo relutam em aceitar que o governo Lula tenha mudado definitivamente de lado. Como são aliados históricos do presidente, preferem poupá-lo e assestar as baterias unicamente no agronegócio. Sem dúvida, esse é mesmo o grande inimigo, mas ele não teria força para paralisar a reforma agrária se esta não fosse a determinação do presidente.

Não se pode dizer que nosso governo esteja desatento à crise. Apesar do discurso, providências estão sendo tomadas para socorrer bancos e empresas. Urge, portanto, reunir as forças políticas de esquerda para construir uma plataforma de medidas destinadas a defender as camadas mais pobres dos efeitos da crise - um conjunto de políticas públicas que garantam alimentação, alojamento, transporte, aos que forem mais atingidos.

A lição a tirar deste episódio eleitoral parece clara: a reconstrução da proposta socialista não passa pela oferta de bons gestores ao Estado burguês. A prioridade institucional deverá ser a ocupação de cadeiras no Legislativo, a fim de conseguir uma tribuna para denunciar as mazelas do regime e emprestar voz aos setores populares. Mas é preciso assinalar: essa voz só será ouvida pela massa se a esquerda priorizar uma ligação permanente com suas lutas.

A agenda de eventos e campanhas dos sindicatos combativos e movimentos populares é parte importante da proposta do Correio da Cidadania. Para ativar ainda mais esse noticiário, basta que as entidades interessadas abasteçam nossa redação com o material que desejam ver estampado nas páginas do jornal.

Decorre a necessidade de articular urgentemente um movimento de opinião pública semelhante ao que assegurou a existência da Petrobrás nos anos 50 para reivindicar, antes mesmo do posicionamento sobre as modalidades de exploração, a informação cabal sobre a matéria. É inadmissível que assunto de tamanha gravidade seja levado ao público por meio de declarações de ministros de Estado que não querem ser identificados.