Correio da Cidadania

Os cientistas brasileiros formam hoje dois grupos antagônicos: os que apóiam e os que se opõem à transferência do seu comando sobre a pesquisa científica para o setor empresarial.

Trata-se, na verdade, é de entregar o processo de inovação tecnológica da economia brasileira ao comando do capital privado, através de entidades denominadas Organizações Sociais.

Os projetos de transposição do rio São Francisco; de privatização das terras devolutas do Pontal do Paranapanema; de ocupação do cerrado com a soja; e de exploração "racional" da floresta fazem parte dessa nova estratégia de acumulação de capital nos pólos centrais do sistema capitalista. Os movimentos populares do campo precisam urgentemente tomar consciência dessa nova realidade.

Os dirigentes dos movimentos populares do campo vêem-se diante da necessidade de tomar uma decisão bem difícil: contar aos sem terra que Lula é o responsável pela paralisação da reforma agrária.

Lula declarou à CNBB que não pode aceitar o tipo de pressão que Dom Cappio está fazendo, porque criaria um precedente perigoso. O argumento é falacioso. Se levasse a democracia a sério, Lula não teria tomado uma decisão de tamanha importância sem precedê-la de um amplo debate público. Cumprido esse requisito, não haveria razão para atender a protestos - neste caso, sim, extremados.

Fidel encarna a força moral desse povo, sua consciência política desenvolvida e sua capacidade de luta. Fez dele exemplo para povos que, em condições muito menos adversas que Cuba, não se atrevem a dar o passo decisivo que Cuba deu para assegurar sua dignidade.

Obrigados a disputar votos no primitivo contexto da troca de favores, os candidatos socialistas vêem-se, muitas vezes, tentados a seguir os mesmos caminhos. Recusando esta auto-destruição, restam ainda dois grandes riscos: o discurso doutrinário e o protesto furibundo. Urge, portanto, montar campanhas eleitorais que permitam demonstrar aos eleitores o modo pelo qual a propaganda dos candidatos da burguesia oculta os problemas reais da cidade e por que o fazem.

Enquanto os políticos estiverem dedicados a criar ilusões que, sabem, não poderão ser concretizadas, o mercado capitalista, livre de quaisquer peias, se encarregará de aprofundar a reversão da sociedade brasileira à condição neocolonial. Poderemos acabar tendo saudades de 2007! 

Quem acompanhou a morte dos dez militantes do IRA (Exército Republicano da Irlanda) em 1981 tem bem presente na memória as fotografias do seu lider - Bobby Sands - após 66 dias de jejum. Pois é a imagem dessa terrível forma de morte que estará associada indelevelmente à imagem de Lula, caso sua intransigência obrigue Dom Luiz a levar até o fim o seu sacrifício.

...o capital estrangeiro já começou a fugir das nossas Bolsas de Valores. A necessidade de formular um plano de enfrentamento da crise, e de debatê-lo amplamente com a população, constitui hoje uma urgência inadiável. A mídia tem a obrigação de pautar esse debate e de garantir que todos os lados sejam ouvidos.

Os "índices de produtividade dos imóveis rurais" são a base do procedimento de desapropriação dos imóveis improdutivos. Os índices atualmente em vigor referem-se à produtividade média das empresas agrícolas brasileiras há trinta anos atrás. Sua atualização desatravancará a reforma agrária.

A advertência de Celso Furtado, em 1992, não foi ouvida: a construção nacional não está mais interrompida. Os governos Collor, FHC e Lula destruíram-na inteiramente. Os que ainda acreditam no país têm de começar, desde os alicerces, uma nova construção. 

Casos que dominaram o noticiário da semana não discrepam muito da seqüência de violências que estão sendo cometidas diariamente contra o povo por agentes do poder público e por agentes do poder econômico, sob a proteção dos primeiros.