Correio da Cidadania

Por que a nossa burguesia não institucionaliza sua dominação enquanto as burguesias do Primeiro Mundo o fazem? Porque, apesar de truculenta, a nossa é uma burguesia débil. Uma burguesia que vive de comissões pela prestação do serviço de intermediar os investimentos que as multinacionais fazem em nosso país. Se o país fosse institucionalizado, ela seria dispensada logo em seguida. 

No tempo em que a Nação brasileira tinha dignidade, os mandatários do povo não enviariam uma delegação de nível tão alto na hierarquia do Estado para cohonestar um evento de marketing comercial de uma empresa, como a Fifa, dedicada a negócios que frequentemente têm problemas com o Fisco - sugestivamente sediada em Zurich.

O governo do estado de São Paulo está lutando para aprovar o Projeto de Lei 578/2007, que entregará centenas de milhares de terras devolutas aos grandes fazendeiros que as estão ocupando, ilegalmente, na região do Pontal do Paranapanema.

Alega-se, baseando-se em obscuro parecer da Advocacia Geral da União (AGU), que não cabe a aplicação da lei porque os investidores estrangeiros adquirem apenas o controle acionário das usinas e, portanto, não se tornam proprietários das terras. Ora, trata-se de um sofisma.

Se a descoberta das reservas petrolíferas da Bacia de Santos tivesse demorado mais 20 dias teríamos vendido metade da produção potencial de petróleo do país por "dez mil réis de mel coado". Daqui a dez ou quinze anos, nosso desenvolvimento estaria completamente dependente das multinacionais que se candidataram a encontrar petróleo nessa região.

Se o bloco formado pelo latifúndio e o agronegócio - agora aliado de Lula na aventura do etanol - continuar vandalizando impunemente a população rural, os movimentos do campo serão desbordados, a menos que radicalizem suas posições. Ou a população rural, asfixiada, esvaziará o campo ou caminharemos para um quadro muito semelhante ao da Colômbia.

 

Convém esclarecer que democracia é o que menos preocupa o governo inglês. Seu único propósito é desgastar Mugabe, a fim de substituí-lo por um títere, que assegurará a permanência de suas companhias no "filé mignon" das terras do país. 

Os homens e mulheres que fazem parte das instituições da República precisam cumprir duas condições: decidir com razoabilidade e comportar-se pública e privadamente com decoro.

O lamentável argumento de que precisamos nos emparelhar com as forças armadas venezuelanas visa apenas demonizar a figura de Chávez. É ridícula a idéia de que precisamos ter Forças Armadas de grande porte a fim de nos equiparar ao poderio militar venezuelano. Não temos adversários no mundo subdesenvolvido, e menos ainda na América Latina, que justifique esse esforço.

 

A hipótese a ser analisada pelos que se dispõem a encarar o problema com seriedade é que essa extraordinária violência policial tem, na verdade, um conteúdo político: a sem cerimônia com que a Polícia mata inocentes nessas batalhas campais mostra aos favelados que eles serão massacrados se ousarem se rebelar contra a ordem estabelecida pelas camadas superiores da sociedade.

Há poucos dias, um avião que pousava em Congonhas foi obrigado a arremeter porque deparou-se com um helicóptero a uma distância perigosa e a mídia não deu à notícia o destaque que merecia. Por que tão pouca atenção a um fato grave? Serão os usuários de helicópteros tão poderosos que ninguém se atreve a perturbá-los?

Curiosamente, os que se sentem tão ultrajados com a barbárie das ocupações não se lembram, nem por um minuto, de que o Estado e a sociedade negando aos estudantes meios adequados para fazer chegar suas reclamações à opinião pública ferem um direito garantido na Constituição.