Correio da Cidadania

Enquanto os brasileiros não se convencerem de que também as tragédias que castigam o povão precisam ser evitadas, não haverá a menor possibilidade de que aquelas que envolvem as camadas superiores da pirâmide social também o sejam.
Está na hora de um grande encontro entre os estudantes do campo do socialismo para superar desencontros do passado, a fim de estabelecer uma estratégia comum de atuação na política estudantil. Não se pode aceitar que uma entidade da importância da UNE deixe de participar do esforço de resistir à reversão colonial e de reestabelecer o entusiasmo pela construção da nação brasileira.

Por mais que a imprensa conservadora procure ver indícios de racha na polarização do Psol, a realidade é bem outra: o partido saiu unido do encontro e deu mais um passo na direção de se constituir num instrumento importante para a luta da esquerda.

O que aconteceu no dia 23 foi apenas um despertar - um despertar que revela, sem dúvida, a superficialidade do proclamado estado de satisfação da massa popular com as políticas assistenciais do governo.
A crise do transporte aéreo, por exemplo, está sendo analisada pelos mais diversos ângulos nos meios de comunicação, menos por este: a perda acelerada da soberania do país.
Precisamos pôr em prática uma grande lição do passado: a indignação ética não é suficiente para eliminar a corrupção, que atualmente é sistêmica. Decorre da promiscuidade entre agentes públicos e privados, característica inerente ao modelo político neoliberal.
Atenção! A Reitoria da USP (e agora de mais três universidades) não está ocupada por bandinhos de baderneiros. O juízo que se possa fazer a propósito da propriedade ou impropriedade do meio empregado para extravasar o protesto não deve obstar, nas mentes realmente preocupadas com o país, a interpretação correta do despertar de consciência desta nova geração de estudantes após anos de gerações preocupadas em usar seu período acadêmico unicamente para fazer curricullum para servir o capital.
Na política é indispensável não perder o momento. Os protestos do dia 23 são o momento oportuno para que esses partidos e tendências revejam suas posições e venham retomar o lugar que sempre quiseram ter no espectro político do país.
Onde encontrar um espaço próximo sem os problemas de aglomeração urbana para se construir um novo aeroporto em São Paulo? Qual será o custo real (e não o fictício anunciado pelo governo) da construção? A Grande São Paulo suportará mais um enorme impacto de destruição ambiental? Quais os custos econômicos e sociais disso tudo para o país?

Regular a oferta do "serviço de fornecer instrução superior", a fim de ajustá-lo às características da competição intercapitalista, constitui atualmente preocupação dos organismos internacionais de monitoramento das economias subdesenvolvidas. Dessa preocupação surgiu uma nova doutrina sobre a universidade.

Não há reforma política mais necessária em toda a América Latina do que a quebra do monopólio das principais televisões, todas ligadas aos interesses do grande capital nacional e estrangeiro. Esses poderosíssimos veículos de comunicação, além de desinformarem a população e de promoverem a penetração dos anti-valores e da amoralidade da indústria cultural norte-americana em nossos países, constituem uma devastadora arma de destruição de imagem, a serviço das classes dominantes.
Tem toda pertinência a resistência que está sendo articulada pelas centrais sindicais e movimentos populares combativos. O primeiro teste dessa resistência foi a reunião de 25 de março; o segundo, a celebração do 1º. de maio. O próximo é o Dia Nacional de Lutas, marcado para o próximo dia 23. Do sucesso dele depende a possibilidade de conter o ataque da direita.