Correio da Cidadania

Se, além da retórica oca, a sociedade brasileira tomar a decisão de defender a soberania nacional e os imensos recursos naturais dessa vasta região, o único caminho racional é desmembrar dos estados amazônicos as áreas ainda não penetradas significativamente, para formar com elas um território sob controle direto da União.

Nega-se a humanidade do pobre, a fim de justificar moralmente a guerra que se trava contra ele nas favelas e periferias, seja no apoio às medidas que facultam às polícias agir com maior truculência, seja pela audiência enorme dos programas de televisão que enaltecem a violência policial. A esquerda precisa colocar-se mais claramente do lado dos pobres nesta guerra.

A "indústria cultural" encarrega-se de explorar o escândalo, exportá-lo, transformá-lo em diversos sub-produtos, todos altamente lucrativos. Pouco importa aos seus capitães o enorme dano que a exposição escandalosa da tragédia acarreta às pessoas nela, direta ou indiretamente, envolvidas. A sociedade também sofre perdas e a primeira delas é a revogação do princípio jurídico da presunção de inocência.

Ora, o primeiro requisito para que os núcleos de base funcionem é a mudança radical desse conceito de direção do partido revolucionário. Os núcleos só poderão ser dinâmicos e formadores de quadros socialistas se forem envolvidos permanentemente no processo decisório da agremiação.

O editorial criticado não faz mais do que reivindicar a plena harmonia entre a igualdade de todos os militantes dos partidos de esquerda com formas democráticas de governo dessas agremiações, a fim de demonstrar a possibilidade da síntese entre a igualdade e a democracia. Para fazer o socialismo retornar à agenda política do país, os socialistas não podem vetar o emprego de palavras sem examinar atentamente o sentido delas no texto.

A mídia não conta à população que o governo vem sistematicamente desmantelando esse órgão vital para o adequado funcionamento da administração pública. Há sete meses, por vários meios, a Unafisco vem buscando dialogar com o governo, a fim de expor seus argumentos. Debalde. Aparentemente, o governo quer mesmo desestruturar o órgão e submetê-lo ainda mais aos políticos alçados à chefia da instituição.

A esquerda dispõe de um prazo (contado em décadas) para preparar-se, a fim de que possa voltar à cena política apta a oferecer uma alternativa revolucionária. Se, nesse prazo, tiver conseguido adquirir real força, a política brasileira mudará de qualidade. Se não tiver sido capaz, novamente amargará outras décadas de marginalização do protagonismo político.

Os esforços de coordenação destinados a superar a falta de articulação entre as ações das várias forças populares têm sido frustrados, em razão de dois fatores principais: as diferenças de posição diante do governo Lula entre os que se sentam para planejar ações comuns; e a superestimação das próprias forças.

Se os socialistas que ainda alimentam a esperança de reconstruir o socialismo quiserem ter êxito, precisam somar ao seu discurso exemplos de processos decisórios democráticos. Caso contrário, enredar-se-ão num círculo vicioso inextricável: a idéia não avança por falta de exemplos; como não avança a idéia, não pode haver exemplos.

A única coisa verdadeiramente a lamentar é o mal que a volta da direita truculenta ao poder representa para os trabalhadores italianos e o reforço ao processo de direitização da Europa. Mas nem tudo é prejuízo. Duas grandes lições podem ser tiradas da derrota. A primeira é fazer a distinção entre uma plataforma de lutas por reformas no sistema capitalista e um programa de governo reformista.

A notícia é minúscula, perdida num pé de página, nas folhas do ‘meio pra não se ler’. Ela informa que Lula editou Medida Provisória ampliando de 500 a 1.500 hectares a área dos imóveis que podem ser regularizados sem licitação na Amazônia. A nova MP vem confirmar os piores vaticínios a respeito da entrega da terra brasileira ao agronegócio.

Mesmo sujeitos a incursões cada vez mais freqüentes da barbárie em seus bem guardados apartamentos e condomínios fechados, "os integrados" preferem suportar o risco de um assalto e a deterioração crescente de sua própria qualidade de vida a enfrentar os poderosos interesses que impedem a organização de uma sociedade mais homogênea e equilibrada.